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Curso de Hebraico

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As parashiót da semana

Cada Shabat o Eterno nos traz conhecimentos profundos de sua vontade refletido na vida de nossos patriarcas, do povo de Israel nos trazendo a revelação do Mashiach.

Nossas festas e Dias solenes

Sempre reunidos para celebrar as mitsvót, os mandamentos da Toráh que o Eterno nosso D'us nos ordenou como sombras dos bens futuros. Grandes revelações nos são manifestadas que nos apontam a Yeshua nosso Rei.

O Judaísmo messiânico e o Acharít hayamim

É de suma importância observar os tempos e como devemos nos portar nesses últimos dias. Como testemunhas de Yeshua nesses tempos que nos mostram que o Templo já está as portas e o cenário mundial se prepara para o fim.

José: Arquétipo do Messias

José: Arquétipo do Messias



Entender os Textos Sagrados da Torá com base em suas devidas interpretações e contextos corretos é a fundação da compreensão da messianidade de Yeshua. Conforme a declaração do Mestre:

"Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de Mim testificam." (João 5:39)

"Todavia, se de fato crêsseis em Moisés, de igual modo haveríeis de crer em mim, pois foi a meu respeito que ele escreveu." (João 5:46)

Como mencionamos em outro estudo, cada um desses arquétipos produzidos pela insondável Sabedoria de D'us constitui as "Faces" do Mashiach, com as quais saberíamos identificar a pessoa do Salvador.

Neste estudo, consideraremos a história de Yossef (José) e suas semelhanças com a história do nosso Senhor Yeshua.

1. Raquel, mãe de Yossef, era estéril; e sua gravidez foi resultado direto da Intervenção Divina (Gênesis 30:2)

Maria, mãe de Yeshua, era virgem; e sua gravidez também foi resultado da Intervenção Divina (Mateus 1:18)

2. O nascimento do filho de Raquel tirou o opróbrio da matriarca (Gênesis 30:23)

O Nascimento de Yeshua se deu para a glória do povo de Israel (Lucas 2:23). Yeshua também se tornou Luz para as nações.

3. O nome Yossef (יסף) significa "que ele acrescente", devido a esperança que Raquel tinha em ter mais filhos (Gênesis 30:24)

Yeshua (ישוע) significa "O Eterno salva", denotando a salvação do povo judeu através do Messias. Por intermédio de Yeshua, D'us acrescenta filhos a Israel.


4. O nascimento de Yossef demarca o fim do exílio de Jacó da terra de Israel; depois do nascimento de Yossef, Jacó decide voltar à Terra Prometida (Gênesis 30:25)

O nascimento de Yeshua demarca o fim do exílio espiritual de Israel (Lucas 2:29-32)


5. Na Tradição Judaica, Yossef é considerado o antagonista de Esaú (que é a personificação do poder das nações e da opressão de Israel)

Yeshua sobrepujou os poderes das trevas através da vitória na cruz. Ele é o que derrota a Serpente, o último antagonista de HaSatan e seus servos.


6. José era um jovem precioso que era cheio de sonhos que lhe eram dados pelos Céus (Gênesis 37:5)

Yeshua, desde pequeno, estava no Templo discutindo com os sábios sobre a Torá (Lucas 2:42-51). Ele era cheio de sonhos prometidos pelos Céus.


7. Yossef era o "amado do pai" (Gênesis 37:3). Ele era o ben yachid (בן יחיד) (o filho único, querido) de Jacó.

"Eis o Meu filho amado, em quem Me comprazo" (Mateus 3:17; 17:5). Yeshua também é descrito como ben yachid, o "unigênito" do Pai (João 1:14)


8. Yossef era pastor (Gênesis 37:2)

Yeshua HaMashiach é chamado o "Bom Pastor" (João 10:11)


9. Jacó amou mais Yossef que seus outros filhos (Gênesis 37:3)



D'us ama Seu Filho Yeshua de uma maneira única (João 3:35; 5:20; Mateus 17:5; Lucas 9:35)



10. Yossef foi "separado/diferenciado" de seus irmãos com um presente de seu pai: uma túnica de várias cores (Gênesis 37:3)



Yeshua foi separado/santificado de seus irmãos pela Unção que D'us lhe deu (Mateus 3:16)



11. José profeticamente se previu como o libertador de Israel e salvador do mundo (Gênesis 37:5-11)

Yeshua conjuntamente viu-se o Salvador de Israel e do mundo (João 6:35; 8:12)


12. Os irmãos de Yossef o odiavam, e nem conseguiam conversar gentilmente com ele (Gênesis 37:5-10)

Yeshua foi odiado gratuitamente e repetidamente "testado" pelas autoridades religiosas (João 1:11; 15:25)


13. Yossef era um sonhador e profeta que foi desprezado por seus irmãos (Gênesis 37:5-10)

Yeshua pregou a mensagem da Salvação através da ótica Divina, e foi desprezado (João 5:18; 7:1; 8:6; Mateus 16:1)


14. Os irmãos de Yossef recusaram suas legislações (Gênesis 37:8)


"Não queremos que este reine sobre nós." (Lucas 19:14)

15. Os irmãos de Yossef enviaram-no para livrarem-se dele (Gênesis 37:11)

Por inveja, os principais sacerdotes o entregaram para ser morto (Marcos 15:10)

16. Yossef foi enviado por seu pai a seus irmãos (Gênesis 37:12-14)

Yeshua também foi enviado por seu Pai ao Povo Judeu (João 5:30-36; 6:57; 8:18; Gálatas 4:4; 1João 4:9)

17. Os irmãos de Yossef conspiraram sua morte (Gênesis 37:18)

O sumo-sacerdote e os anciãos do povo planejaram juntos trazer Yeshua à morte (Mateus 27:1)

18. Os irmãos de Yossef não acreditaram nele (Gênesis 37:19-20)

Muitos do povo de Israel não acreditaram em Yeshua (João 3:18; 3:36)

19. Os irmãos de Yossef despojaram-no de sua túnica e zombaram dele (Gênesis 37:19, 23)

Também Yeshua foi despojado e zombado (Mateus 27:28)

20. Os irmãos de Yossef puseram-no num poço, um símbolo para tumba (Gênesis 37:24)

Yeshua foi posto em uma tumba (Zacarias 9:11; Mateus 12:40; 27:59-60)

21. Os irmãos de Yeshua tiveram uma refeição enquanto Yossef sofria no poço (Gênesis 37:25)

Israel comia do cordeiro de Pêssach enquanto Yeshua estava na cruz/túmulo (João 13:1)

22. Judá promoveu a ideia de que a vida de José deveria ser resgatada (Gênesis 37:26-27)

Por isso, Yeshua nasceu da casa de Judá e tornou-se o Redentor de Israel.

23. Os irmãos de Yossef venderam-no por algumas moedas de prata (Gênesis 37:28)


"E eles lhe pesaram trinta moedas de prata." (Mateus 26:15)

24. Yossef foi tirado do poço (Gênesis 37:28)

Yeshua ressucitou dos mortos (Mateus 28:6; Marcos 16:16; Lucas 24:6; João 20:1-17)

25. Yossef foi vendido como escravo antes de ser levado à glória (Gênesis 37:28)

Yeshua tomou sobre si a forma de Servo Sofredor antes de sua exaltação (João 13:12-17; Mateus 20:25-26; Marcos 10:43; Filipenses 2:6-9)

26. Yossef foi levado ao Egito para que sua morte fosse evitada (Gênesis 37:28)

Também Yeshua foi levado ao Egito para que não fosse morto (Mateus 2:13-14)

27. A túnica de Yossef foi manchada de sangue (Gênesis 37:31)

O manto de Yeshua também foi coberto de sangue (Marcos 15:17-20; Mateus 27:28-31)

28. Yossef foi aprisionado junto a dois criminosos (Gênesis 40:2-3)

Também Yeshua foi crucificado junto a dois ladrões (Lucas 32:23)

29. Yossef nada pronunciou diante das autoridades (Gênesis 39:19-20)


"E interrogava-o com muitas palavras, mas ele nada lhe respondia." (Lucas 23:9)

30. José tem uma conduta irrepreensível frente às tentações (Gênesis 39)

Yeshua também temuma conduta irrepreensível frente às tentações (Mateus 4:1-11)



.................................................................. Shemuel ben Avraham (Marcos)
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As Duas Vindas de Mashiach

As Duas Vindas de Mashiach


Para muitos é difícil compreender a relação entre Yeshua e a figura messiânica por, na época, não ter cumprido a totalidade das profecias relacionadas ao Mashiach na Torá e nos demais textos proféticos. Contudo, precisamos entender que, mesmo para o Judaísmo, a redenção messiânica se daria em duas fases distintas.

Nossos sábios (e mesmo os posteriores a eles), incluindo Rambam, Rashi e muitos outros, falam em "dois meshichim". Cada um deles cumpriria uma parte da missão, Mashiach ben Yossef e Mashiach ben David. Pretenderemos mostrar que ambas as representações se contemplam, na verdade, em uma só pessoa.

Em lições posteriores falaremos de cada um deles mais detalhadamente. Por ora, explicaremos a base escriturística e rabínica antiga que comprova as duas manifestações messiânicas.

- Não de uma só vez

Crer em uma vinda dupla do Mashiach é, na verdade, uma crença judaica com a qual concordam nossos sábios. Vejamos os relatos a seguir:

Nas obras do famoso místico (Shaar haguilgulim, cap. 13), Rabino Yitschak Luria, está escrito que, "antes de Mashiach se revelar completamente, ele estará oculto de maneira semelhante à de Moshé quando ele subiu ao Monte Sinai para receber a Torá. O povo se iludiu ao pensar que ele havia morrido, mas na verdade, ele estava vivo, e mais tarde ele desceu e nos deu a Torá".

Além disso, Rashi escreve no final do livro de Daniel (12:12) sobre as palavras "... feliz é aquele que espera", que "Nosso Mashiach está destinado a se ocultar depois da sua revelação, e voltará para ser revelado".

Questionário


Que provas temos nos Escritos dos Profetas de que a revelação messiânica se daria em duas fases?

Em Daniel 2, a respeito da visão da estátua de Nabucodonosor, vemos que uma pedra é cortada do cume de uma montanha (vide Septuaginta em Daniel 2:34), sem ação humana e lançada aos pés da estátua e destruindo-a.

Sabemos que isso é uma clara referência à instituição da Era Messiânica e à destruição dos governos do mundo (Midrash Tanchuma Buber, Terumá 6:2; Salmos 110; Daniel 7:27; Isaías 2:2-3; Miqueias 4:1-2; Apocalipse 11:15), e que sua época se refere aos tempos atuais, posteriores ao Império Romano e sua divisão e desfalecimento. Logo, por meio disso, podemos crer que a instauração do Reino dos Céus se dará neste período em que vivemos (queira D'us abreviá-lo, amén).

Contudo, em Daniel 8, o mesmo profeta escreve que Mashiach seria morto 466 anos e meio após a reconstrução da Cidade de Jerusalém, e antes de sua destruição (Daniel 8:24-27; Esdras 1:1-11), ou seja, durante o período em que Israel estava ainda sob o domínio de Roma.

Como equacionar esta aparente contradição? Mashiach viria no período sob o domínio romano, ou virá nos nossos tempos? Concluímos aqui se tratar de uma manifestação messiânica ocorrida em duas fases. Uma com sua morte na condição de servo sofredor, onde seria comparado ao cordeiro (Salmo 2; Isaías 53 - sobre Isaías 53, clique aqui). Após sua morte, assentando-se à direita do Eterno até o tempo determinado para a instauração de seu reinado na Terra (Daniel 7:13; Salmos 110:1) (Na comparação de Rabi Yitschak Luria, Mashiach estar assentado à destra de D'us é aludido por Moshé passando 40 dias nos céus, oculto, recebendo a Torá).

Nas palavras do Rabino Yoden, sábio talmudista, encontramos: "... no futuro, nos dias do Messias, o Santíssimo, bendito seja, fará o Messias assentar-se 'à sua mão direita', como é dito: Disse o Eterno ao meu senhor: Assenta-te a Minha mão direita".

No Zohar (Shemot 8b), um importante e antigo livro judaico, encontramos tais palavras: "Ele levará uma vida normal [Primeira Vinda]; o Espírito de Mashiach no Gan Éden Celestial será concedido a ele [o Espírito de D'us estará sobre ele], ele será escondido ascendendo aos Céus [Sua Ascensão] e só então será revelado e recebido por Israel [Seu Retorno]".

Vemos portanto, que mesmo as linhas mais místicas ou as mais racionalistas do Judaísmo confessam a dupla manifestação messiânica, inclusive crendo em sua ascensão aos Céus.

Por que a manifestação messiânica deveria se dar em duas fases?

Nossos sábios explicam no tratado Sanhedrin 98a uma aparente contradição nos textos de Daniel 7:13 (Mashiach elevado nas nuvens dos Céus) e Zacarias 9:9 (Mashiach pobre montado num jumento). Eles resolvem este caso da seguinte forma:
אמר רבי אלכסנדרי רבי יהושע בן לוי רמי כתיב (דניאל ז, יג) וארו עם ענני שמיא כבר אינש אתה וכתיב (זכריה ט, ט) עני ורוכב על חמור זכו עם ענני שמיא לא זכו עני רוכב על חמור

"Disse Rabi Alexandri: Rabi Yehoshua ben Levi levanta uma [aparente] contradição: está escrito, 'eis que vinha com as nuvens dos céus, um como filho de homem...', e está escrito, 'humilde e montado num jumento...'. Rabi Alexandri explica: se Israel for merecedora e tiver méritos 'virá com as nuvens...', se Israel não for merecedora e não tiver méritos, vem 'humilde, montado num jumento'".

Nesta situação, poderíamos dizer que a geração que recepcionou a Yeshua em sua primeira manifestação, não foi merecedora. Isso devido, entre outras coisas, a sua corrupção com o Império Romano, sendo apenas uma pequena parte merecedora de enxergá-lo (Isaías 29:10-19).

Uma das provas do não merecimento daquela geração foi destruição do Segundo Templo. Tratado Yomá 9b nos relata:

אבל מקדש שני שהיו עוסקין בתורה ובמצות וגמילות חסדים מפני מה חרב מפני שהיתה בו שנאת חנם ללמדך ששקולה שנאת חנם כנגד שלש עבירות

"Porém, na geração do Segundo Templo, as pessoas se ocupavam com a Torá. Então, por que o Templo foi destruído? Porque aquela geração tinha ódio gratuito. Para te ensinar que o ódio gratuito é tão grave quanto à idolatria, perversão sexual e derramamento de sangue inocente juntos."

Outro motivo (e o mais importante deles) é que antes de Mashiach tomar os reinos do mundo, o próprio mundo deveria ser preparado para isso.

Imaginemos o caso de uma mudança econômica monetária como ocorrida no Brasil nos anos 90 (Plano Real) que foi precedida por um período de aceitação (URV). Também no caso do Mundo Vindouro, o mundo terá de ser preparado para uma mudança total de valores, e portanto, antecedido pelas notícias da mídia (Pregação do Evangelho) e ainda um período de adaptação posterior, neste caso figurado nos dias do Mashiach.

D'us não quer que apenas aquela parte de Israel fosse salva com sua Redenção, mas Ele intenciona que todos os homens tenham a oportunidade de conhecê-lo de alguma forma e, quem sabe, aceitar Sua Torá (Isaías 49:6). Por isso, realizou um Reino Messiânico que se estenderia de mar a mar, alcançando os dispersos de Israel e ainda muitos gentios que a Ele se achegariam (Isaías 40:5; 11:9; Salmos 72:7-8; Zacarias 9:10; Sofonias 3:9; Ezequiel 37:23; Isaías 60:21; Isaías 56).

O conhecido Rebe de Lubavitch, que alguns erroneamente consideram Mashiach, antes de falecer disse: "Há muito a ser feito no Norte da África. Os judeus de Marrocos precisam de professores e orientadores, e é nossa missão disseminar o conhecimento da Torá entre eles".

Com essas palavras, Rabi Yossef Yitzchak Schneerson iniciou uma campanha de envio de "emissários" judeus - rabinos e professores - a outros países. "Uma revolução espiritual se iniciava: o Judaísmo estava para ser espalhado pelos quatro cantos do mundo".

Isto não te lembra algo? Yeshua antes de subir aos céus, enviou seus Emissários para preparar o mundo para a chegada do Reino, como vemos em Atos 1:6-8. E você? Está disseminando o Reino em sua geração?

Mashiach como Príncipe Dominador

Na segunda fase de sua missão, agora não mais como Servo Sofredor e sim como Mashiach ben David, o Cordeiro não será mais manso e passivo, antes sim, será comparado ao Leão que desperta para sua caçada. O "Servo Sofredor" desaparece do cenário, e o mesmo Yeshua reaparece como "Príncipe Dominador" para o governo do mundo e a correção das nações.

Ele reinará com mão de ferro e quebrará o jugo das nações. Elas se submeterão forçosamente e serão subjugadas no intuito da formação de uma nova sociedade. Suas armas serão transformadas em arados e guerreiros em lavradores. Os falsos profetas serão descridos para sempre, e o espírito do engano será tirado das nações. O povo de Israel habitará seguro em sua terra, e finalmente, agora na figura de governador, "Yossef" se dará a conhecer a seus irmãos, e os perdoará. Eles chorarão ao reconhecê-lo e haverá paz na Terra.

Após ser vendido por seus irmãos, feito vítima das mãos de gentios, ser vendido como escravo, invejado pelo os que o rodeavam, revelado o sonho de homens e desvendado seus destinos, era hora de Yossef tomar seu lugar.

Todo aquele processo não passava de um aperfeiçoamento de sua condição até que estivesse pronto a revelar-se totalmente em sua essência. Agora, com um novo nome: "Tsafenat Paneach" (Salvador de Toda a Terra), promoveu mantimento aos povos, e trouxe as nações para junto de si. Todas vinham a ele buscar o que precisavam. O Rambam também escreve: "Este Rei (Mashiach) será grande, ele reinará de Sião, seu nome será grande, e sua lembrança será guardada pelas nações mais do que a de Salomão. Todas as nações farão a paz com ele, e todos os países vão serví-lo (...) e qualquer um que se levante contra ele, D'us destrui-lo-á (...) e entrega-lo-á em suas mãos" (Pérek Chelek, Kolel).

O Reino de Yeshua será como descrito: "... tudo puseste debaixo de seus pés: todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares" (Salmos 8:6-8). E assim afirma Midrash Tehilim, cap. 72, comentando esses versos: "Se disserem ao Rei Messias, 'Uma certa província rebelou-se contra vós', Ele dirá 'que venha o Gafanhoto e a destrua'; ou se lhe disserem, 'Uma certa eparquia se rebelou', Ele dirá, 'que venham as bestas selvagens e a devorem'".

A que será comparado o Reino de Mashiach?

Em sua próxima vinda o Mashiach virá para governar toda a Terra durante os mil anos de descanso da Terra, mas foi necessário que primeiro viesse preparar nosso povo para a redenção final. Durante este período, Yeshua passou por uma metamorfose.

Seu martírio e morte representou sua fase de crisálida e seu ressurgimento, o desbrochar da borboleta. Mas, antes de seu primeiro voo inaugural, sob sua nova condição, Mashiach manifestará toda a sua beleza, e no alto se mostrará a todo olho vivente.

Num antigo comentário rabínico, encontramos: "Quando o Rei Messias chegar, ele vai subir no telhado do Templo e anunciará a Israel: 'A hora da sua redenção chegou! E se vocês não acreditam, olhem minha luz que brilha sobre vocês!' Nesse momento, o Santo, bendito seja, fará resplandecer a Luz do Reino do Mashiach e de Israel, e todos irão em direção a [esta] Luz (...) e virão lamber o pó sobre os [seus] pés (...), e todos virão e cairão sobre suas faces diante de Mashiach e diante de Israel e dirão, 'Nós seremos servos para você e para Israel!'" (Yalkut Shimoni, Yeshaiahu 49:9)

Assim será o Glorioso Reino do Mashiach Yeshua! Amén!

............................................................... Shemuel ben Avraham (Marcos Cardoso)
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Os Filhos de Jacó e os Filhos de Esaú

Os Filhos de Jacó e os Filhos de Esaú


Venham e aprendam o que acontece nos últimos dias. 

"Dois povos nascidos de ti, se dividirão."
(Gênesis 25:23)

Dois estados espirituais antagônicos que permeiam o mundo desde as primeiras gerações (Abel e Caim). Sobre Jacó está escrito:

"Jacó, porém, homem virtuoso, habitava em tendas."
(Gênesis 25:27)

Vejam que a Sagrada Torá diz "tendas", que em hebraico é "Ohalim":

אהלים

A Torá usa as mesmas letras da palavra "Elohim" - "D'us, poderoso":

אלהים

Ou seja, Jacó habitava não somente em "tendas", porém, de forma mais profunda, ele habitava em tudo que se chamava "D'us". Contudo, vamos analisar o ponto crucial que permeia toda essa história:

"Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu sem saber para onde ia. Pela fé, habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o Artífice e Construtor é D'us."
(Hebreus 11:8-10)

Que cidade era essa? E que "tenda" era essa que Jacó, profeticamente, já habitava?

Essa cidade é Jerusalém, a cidade estabelecida pelas próprias mãos de D'us: "... na cidade do nosso D'us. D'us a estabelece para sempre" (Salmos 48:8), e ainda outro verso: "... e o próprio Altíssimo a estabelecerá" (Salmos 87:5).

Essa "tenda" é a "Casa do D'us de Jacó", como está escrito: "Nos últimos dias, acontecerá que o monte da Casa do Eterno será estabelecido no cimo dos montes e se elevará sobre os outeiros, e para ele afluirão todos os povos. Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do Eterno e à Casa do D'us de Jacó, para que nos ensine os Seus caminhos, e andemos pelas Suas veredas" (Isaías 2:2-3). Ou seja, o nível espiritual de "Jacó" engloba o perfil daqueles que procuram estar na "tendas" de D'us. Estes são chamados "Filhos de Jacó", donde está escrito: "Vós, semente de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus escolhidos" (Salmos 105:6)

Mas ainda nos surge uma dúvida: Se, como vimos, Jacó profeticamente habitava na Casa de D'us, por que o texto da Torá diz "tendas" e não "tenda" em paralelo aos textos dos Profetas que mencionamos, que sempre utilizam "casa" e não "casas"?

Aqui, há um segredo.

A Torá está mencionando, portanto, que Jacó habitava nas tendas espirituais, como está escrito: "... mas o que confia no Eterno, a bondade o circundará" (Salmos 32:10), o circundará como uma tenda. Ou seja, daqui aprendemos que, com relação ao que confia no Eterno, em qualquer lugar que esteja louvando e exaltando a D'us, é como se ele estivesse no Tabernáculo Espiritual oferecendo sacrifícios de agradecimento e louvor a D'us. Isto é, é como se o Tabernáculo Espiritual o seguisse e se transportasse a fim de envolver a todos que louvam a D'us com sinceridade, como está escrito: "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos, em meu nome, aí estou no meio deles" (Mateus 18:20) e em outro lugar diz: "... eis aqui quem é maior do que o Templo" (Mateus 12:6).

O nível espiritual de Jacó personifica todos que estão plantados (habitam) nos átrios do Eterno e se regozijam Nele. 

Diferente de "Esaú" que "desprezou o seu direito de primogenitura" (Gênesis 25:34), i.e., aqueles que com relação ao trabalho na casa do Eterno, dizem: "Que canseira!" (Malaquias 1:13). Assim como Esaú mesmo menosprezou as bênçãos espirituais, eles dizem: "A mesa do Eterno é imunda, e o que nela se oferece, isto é, a sua comida, é desprezível" (Malaquias 1:12). Estes são os Filhos de Esaú, sobre os quais está escrito: "Amei a Jacó, e aborreci a Esaú" (Malaquias 1:3).

Por isso, o Apóstolo e Discípulo Paulo, em Hebreus 12:16-22 declara:

"E ninguém seja devasso, e profano, como Esaú, que por um manjar vendeu o seu direito de primogenitura. Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que com lágrimas o buscou. Porque não chegastes ao monte palpável, aceso em fogo, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade, e ao sonido do shofar, e à voz das palavras, a qual os que a ouviram pediram que se lhes não falasse mais; porque não podiam suportar o que se lhes mandava: se até um animal tocar o monte, será apedrejado. E tão terrível era a visão, que Moisés disse: estou todo assombrado, e tremendo. Mas chegastes ao monte de Sião, e à cidade do D'us vivo [Filhos de Jacó], à Jerusalém Celestial, e aos muitos milhares de anjos;"

Portanto, irmãos, sob tudo dito e exposto; sejamos os Filhos de Jacó, e abominemos as práticas dos Filhos de Esaú; e, finalmente, cumprir-se-á o que fora dito: "Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a D'us, e o que O não serve" (Malaquias 3:18).

................................................................. Shemuel ben Avraham (Marcos)
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Um por Todos

Um por Todos
O Mais Extraordinário Evento


A morte do Mashiach (Messias), o Filho de D'us, é o evento mais notável de toda a história. A sua singularidade foi demonstrada de várias formas. Séculos antes que ocorresse, foi anunciada com uma plenitude incrível de detalhes por aqueles homens a quem D'us levantou no meio do povo de Israel para direcionar os Seus pensamentos de uma mais ampla e mais gloriosa revelação de Seu Filho. Os profetas descreveram o Messias prometido, não apenas como uma pessoa de alta dignidade, que realizaria milagres maravilhosos e benditos, mas também como alguém que seria “desprezado, e o mais rejeitado entre os homens” (Isaías 53:3), e cujas obras seriam encerradas por uma morte de vergonha e violência. Além disso, eles afirmaram que Ele deveria morrer, não apenas sob pena de execução humana, mas que “ao Eterno agradou moê-lo, fazendo-o enfermar” (Isaías 53:10), sim, que Eterno bradaria: “Ó espada, desperta-te contra o Meu pastor, e contra o homem que é o Meu companheiro, diz o Eterno dos Exércitos. Fere ao pastor” (Zacarias 13:7).

Os fenômenos sobrenaturais que assistiram a morte de Yeshua a distinguem claramente de todas as outras mortes. O escurecimento do sol ao meio-dia, o terremoto que fendeu em pedaços as rochas e abriu as sepulturas, os mortos que ressucitaram, e o rasgar do grosso véu do templo de alto a baixo proclamou que Aquele que estava pendurado na cruz/madeiro/estaca não era um sofredor comum.


O véu se rasgou

Assim, também, o que se seguiu a morte do Mashiach é igualmente notável. Três dias depois de Seu corpo ter sido colocado no túmulo de José de Arimateia, e o sepulcro ser seguramente selado, D'us, pelo Seu poder (Gálatas 1:1), arrebentou os grilhões da morte e fê-lo subir em triunfo da sepultura. Ele é agora vivo para sempre, tendo as chaves da morte e do inferno em Suas mãos (Apocalipse 1:18). Quarenta dias depois, depois de ter aparecido uma e outra vez em forma tangível diante de Seus amigos, Ele subiu aos Céus do meio de Seus discípulos. Dez dias depois, D'us derramou o Ruach Hakodesh (Espírito de D'us), por quem eles foram capacitados para anunciar aos homens de todas as nações, as maravilhas da morte e ressurreição de Yeshua.


Ele não está aqui

Como alguém já disse: “O efeito não foi menos surpreendente do que os meios empregados para realizá-lo. A atenção dos 'judeus e gentios' estava entusiasmada, multidões reconheceram-no como o Filho de D'us e o Messias; e uma Kehilá (congregação, comunidade) foi formada, a qual, não obstante a oposição poderosa e cruel perseguição, subsiste até o momento presente. A morte e ressureição do Mashiach foi o grande tema sobre o qual os Shlichim (Emissários) foram ordenados a anunciar, embora se soubesse de antemão que seria ofensivo a todas as classes de homens; e eles realmente fizeram deste o tema de seus discursos. ‘Porque’, disse Paulo, ‘nada me propus saber entre vós, senão a Yeshua o Messias, e este crucificado’ (1 Coríntios 2:2).
 A morte e ressurreição de Yeshua não foi apenas o tema central da pregação apostólica e o principal assunto de seus escritos, mas isso também é lembrado e celebrado nos Céus. O tema das canções dos remidos na glória é: “Digno é o Cordeiro, que foi morto, de receber o poder, e riquezas, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e ações de graças” (Apocalipse 5:12).


 Agora, é evidente a partir de todos esses fatos que há algo peculiar na morte do Mashiach, algo que inequivocamente o separa de todas as outras mortes, e, portanto, a torna digna de nossa mais diligente, piedosa e reverente atenção e estudo. Convém-nos por tudo o que é grave, solene e salutar, ter justas concepções disso, pelo que se entende não só que devemos saber quando isso aconteceu e em que circunstâncias isso ocorreu, mas que devemos nos esforçar mais intensamente para [descobrir] qual era o projeto do Salvador em submeter-se a morrer na cruz/madeiro/estaca, por que foi que o Eterno O feriu, e exatamente o que foi realizado por meio disso. 
 Mas à medida que tentamos nos aproximar de um assunto tão importante, tão maravilhoso, mas tão indizivelmente solene, lembremo-nos de que isso pede um coração cheio de temor, bem como um senso de nossa absoluta indignidade. Tocar a própria "orla" das santidades de D'us (Jó 26:14) deve inspirar temor reverente. Mas, para obter os mais íntimos segredos de Sua Aliança, esforçar-nos para adentrar ao significado daquele momento único no calvário, que foi velado com a escuridão, exigir-nos-á a graça Divina, temor e humildade, de ensino celestial, e humilde ousadia da fé.


Quando nos lembramos de que a Expiação é o assunto mais importante que pode envolver as mentes de homens ou anjos; que não somente circunda a felicidade eterna dos servos de D'us, mas também dá ao universo a visão mais completa das perfeições do Criador; que nisso estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, enquanto que por meio disso são reveladas as riquezas insondáveis de Mashiach; que através dela a própria Kehilá que foi comprada, está sendo feita a conhecer aos principados e potestades nos lugares celestiais, a multiforme sabedoria de D'us (Efésios 3:10), então, que supremo momento supremo deve ser este para compreendê-lo corretamente! Mas como é que o homem caído apreende essas verdades das quais o seu coração depravado é tão oposto? Muito mais é necessária iluminação por meio do Espírito de D'us se ele deseja adentrar completamente neste mais elevado mistério.

“Grande é o mistério da piedade” (1 Timóteo 3:16). Incrível além de toda a concepção finita é aquele momento que se consumou no Gólgota! Ali nós contemplamos o Príncipe da Vida (Atos 3:15) morrendo. Ali nós vimos o Senhor da Glória (1Coríntios 2:8) transformado em um espetáculo de vergonha inefável. Ali vemos o Santo de D'us (Marcos 1:24) feito pecado por Seu povo. Este é o mistério dos mistérios, que Aquele que não é outro senão Yeshua, pudesse descer tão baixo a ponto de unir a excelsa majestade com o mais baixo nível de humilhação que era possível descer.


"Eis que venho para fazer a Tua vontade” (Hebreus 10:7, 9)

"Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca." (Isaías 53:7)

Pelo Espírito, de longe, O ouvimos em ecos dizer: : "Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la" (João 10:17)


Conclusão

Como pecadores, a mente humana é limitada, impossibilitada de contemplar tão grande amor e graça demonstrados por D'us. Louvores Lhe caberiam por toda longura existente de anos.


Eis que um dia "seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta..." (1Coríntios 15:51-52) e toda queda transformar-se-á em elevação; e finalmente, na Santa Cidade, ouviremos a voz de nosso Amado, e passearemos em Seu jardim por infindos dias.

.................................................. Shemuel ben Avraham (Marcos)
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Sofrut: A arte da Escrita Bíblica

Sofrut: A arte da Escrita Bíblica



Rabi Ishmael disse (a Rabi Meir): "Meu filho, qual é a sua vocação?" Eu (Rabi Meir) respondi: "Eu sou um escriba". Ele replicou: "Meu filho, tenha cuidado em sua vocação, pois seu serviço é um serviço celestial; e você deve ter cuidado para não omitir uma única letra ou adicionar uma única letra fora do lugar, pois você acabará destruindo o mundo por inteiroA adição ou omissão de uma única letra pode mudar o significado da verdade [emêt] para a morte [mêt].
(Tratado Eruvin 13a)

Sendo essa uma das passagens mais poéticas do Talmud, ela nos transmite o grau excelso e formidável do ofício do Escriba (Sofêr).
Debrucemo-nos, então, sobre algumas peculiaridades espirituais únicas dessa exímia tarefa.

Nas entrelinhas da História da Criação, percebemos que D’us primeiramente criou as letras do alfabeto hebraico, que se inicia com a letra Álef e termina com a letra Táv, para depois criar os Céus e a Terra. Foi por intermédio destas letras que D’us criou o mundo; e, após o êxodo do Egito, no Monte Sinai, foi através das mesmas letras que Ele se pronunciou e entregou as tábuas a Moisés.

Pode-se concluir, portanto, que as letras hebraicas anteciparam a criação do mundo, pois D’us as criou para com elas criar o mundo; e também que possuem santidade, pois D’us pronunciou-Se através das mesmas.

O Ramban (Rabi Moshé ben Maimon - 1135-1204) escreve, em seu livro Mishnaiot Yadai, (no capítulo 2 da Mishná 5), que as letras hebraicas com as quais escreve-se a Torá constituem a escrita Ashuri, que é a mesma utilizada pelo Todo-Poderoso na Torá. O radical da palavra ashuri, "meushar", significa em hebraico realizado, correto ou direto. A escrita recebe, pois, o nome de Ashuri por sua importância e grandeza.

As letras são distintas e destacadas entre si. Cada uma tem um espaçamento próprio. Cada letra, além de ter nome e significado próprios, tem valor numérico e significado de acordo com a maneira como é escrita.

Álef , por exemplo, a primeira letra do alfabeto, cujo valor numérico é 1, faz alusão ao Único, Bendito Seja, e significa Líder. A letra é traçada da seguinte forma (vide foto abaixo): a letra Yód por cima (cujo valor numérico é 10), e a letra Váv, formando o corpo (com valor de 6) e outra Yód por baixo (10). Esta soma equivale a 26, valor numérico do nome de D’us, formando o Tetragrama.

Álef - primeira letra do Alfabeto Hebraico

É como se estivéssemos recebendo a seguinte mensagem: o verdadeiro líder (Aluf), é o líder número 1, o Primeiro.

Esta letra Álef (אלף), que representa o Todo-Poderoso da maneira como Ele se manifesta no mundo, se for lida de trás para frente, isto é, como se estivéssemos "virando" uma página oculta dessa palavra, forma a palavra Péle (פלא). Esta palavra significa "maravilhoso". De fato, quando buscamos o conhecimento do Santo, bendito seja, Ele nos revelará Suas Maravilhas em cada faceta da realidade.

Assim como o Álef, todas as outras letras têm uma interpretação singular. Ao juntarmos letras, formamos palavras e, ao juntarmos palavras, frases. A complexidade do significado que surge diante de nossos olhos cresce de forma espantosa. As letras hebraicas têm origem no Trono Divino, o que significa que além da forma física há uma forma espiritual para cada uma, o que influencia profundamente a criação.
Daí, então, a enorme responsabilidade de um Sofêr (escriba) ao transcrever tais letras.

Ao detalhar a escrita, desenhando-a com todos os seus pormenores, o Sofêr (escriba) atrai a santidade para as palavras. Mas isto só ocorre se transmitir pureza a suas intenções e a seus pensamentos no ato de escrever.



Um escriba em seu ofício

Com base nessas ideias, podemos responder a uma pergunta ouvida com certa frequência. Estamos no século XXI e a tecnologia gráfica evolui cada vez mais. Não seria, portanto, mais fácil, seguro e eficaz se textos tão sagrados fossem impressos, ao invés de escritos à mão? Assim estaríamos evitando eventuais erros humanos e, sem dúvida, as letras sairiam perfeitamente uniformes e talvez mais bonitas do que as letras feitas manualmente. Pode ser. Mas estaria faltando o principal: sua espiritualidade, sua conexão com o Divino e a Vida do texto.

Ao escrever, o Sofêr (escriba) injeta um sopro de vida em cada letra e, assim, atrai santidade para as palavras. Uma Mezuzá ou um Sefer Torá tornam-se assim um "texto animado", dotado de vida. Pois assim como D’us nos soprou a vida, um Sofêr "sopra" a vida nas letras através de concentração e atenção únicas no momento de seu trabalho.



Análise cuidadosa de um Rolo da Torá

O escriba tem que manter seu pensamento completamente direcionado para o texto e, antes de escrever, deve pronunciar em voz alta todas as palavras. Além disto, deve pedir também que o Nome de D’us se manifeste no mundo através do Tefilin, da Mezuzá ou do Sefer Torá. Esta transmissão de santidade e vida às letras só pode ser introduzida por um ser humano. Nenhuma máquina ou impressora tem este poder.

Esta é, pois, a razão pela qual Rabi Yishmael, como dizíamos no início do texto, advertiu Rabi Meir em relação aos cuidados com a escrita. Cada letra deve ser escrita com amor e intenção.


As leis e conceitos do Sêfer Torá, Tefilin e Mezuzá

O Sofêr (Escriba) é aquele que está apto a escrever Sifrei Torá (rolos da Torá), e todos os pergaminhos do Tefilin e Mezuzá. Por isso, também é chamado de Sofêr Sta"m, sendo Sta"m o acróstico de Sêfer Torá, Tefilin, e Mezuzá.


Fora isso, o Sofêr também deve estar apto a escrever as Cinco Meguilot (cinco rolos): Cântico dos Cânticos, Ester, Rute, Eclesiastes, Lamentações de Jeremias); os livros dos Profetas; documentos de Guitin (divórcio); e (alguns) também escrevem Ketubot (documentos de casamento).

Depois de um longo trabalho dedicado, vemos o maravilhoso resultado de um Sêfer Torá:


Rolo da Torá completo

Se entrarmos no corpo haláchico referente às leis de Sofrut (ofício de ser escriba), encontraremos também conceitos muito interessantes.

Uma das leis refere-se à tinta (Deiô - דיו) utilizada pelo Sofêr
(vide foto abaixo). Ela deve ser proveniente de produtos minerais ou vegetais (Mishnê Torá, Hilchot Tefilin Mezuzá v'Sêfer Torá 1:4). Porém, a melhor tinta é aquela completamente extraída da madeira das árvores. O Zohar em Parashát Terumá explica a importância de se tirar proveito total da madeira, por dentro e por fora. A arca onde se coloca a Torá, é revestida de madeira. A tinta com a qual se escreve o pergaminho, também é proveniente de madeira. Esta analogia nos remete ao ser humano, que pode florescer como as árvores ou apodrecer como a madeira mal tratada.




Outra lei interessante presente nestes textos refere-se ao Sirtut (שרטוט): o traçado das linhas antes de escrever as letras, deixando uma marca para alinhar as palavras (vide foto abaixo). Esta lei parece estranha, pois afirma que mesmo as palavras estando retas e na posição correta, se as linhas não foram previamente traçadas, a escrita não é válida. A lei ainda frisa a impossibilidade de traçá-las após a escrita  (Mishnê Torá, Hilchot Tefilin Mezuzá v'Sêfer Torá 7:16).


Pergaminho pronto para a Escrita Sta"m

A principal razão para isto está no livro Kedushat Levi (de Levi Yitzchak de Berditchev). Este conceito sobre as linhas é encontrado também no rosto de um ser humano e em suas mãos. Estes trazem consigo a identidade do ser humano, diferenciando cada um de nós. O mesmo acontece nas Escrituras Divinas, cujos traços revelam a essência do Todo-Poderoso, o Seu íntimo.

Conclusão

Demonstramos nesse texto, apenas de modo geral, o denominador comum entre Sêfer Torá, Tefilin e Mezuzot – a sua escrita. Juntamente com alguns significados espirituais dessa tarefa tão árdua e ao mesmo tempo tão fascinante! Verdadeiramente, uma obra de arte celeste!

.......................................................... Shemuel ben Avraham (Marcos)
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Quem matou Yeshua?

Tradução do Artigo: "Who killed Jesus?", de Rabi Joseph Shulam Shlit"a





O filme do Mel Gibson, "Paixão de Cristo", mais uma vez levantou a questão, "Quem matou Yeshua?" Esse tópico sempre arvorou preocupações na comunidade judaica. Historicamente, toda vez em que cristãos perguntam, "Quem matou Jesus?", há uma onda de ódio e perseguição contra a comunidade judaica. Os judeus tornam-se temerosos, com boa razão, quando cristãos discutem sobre quem matou Yeshua. Porém, quero trazer esse assunto por uma perspectiva diferente: Aquele que planejou e executou a morte de Yeshua é nenhum outro a não ser D'us, o Pai. Ele Quem premeditou, previu, preparou, cronometrou, e aprovou a morte do Messias, milhares de anos antes de tal evento histórico. Veja a seguinte passagem que elucida isso:


"... no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo." (Apocalipse 13:8)


Note nesse verso que o Cordeiro já tinha sido morto desde a fundação do mundo. Isso significa que D'us preparou e premeditou a morte do Cordeiro de D'us que tira o pecado do mundo antes mesmo do mundo ser criado. Não havia existência de judeu algum nesse tempo que poderia ter alguma mão nesse plano.


"Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de D'us, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; e o Eterno fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós." (Isaías 53:4-6)


Note o último verso desse texto: "e o Eterno fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos". A ênfase deve estar em duas palavras: "Eterno" e "todos nós". A morte de Yeshua foi premeditada e preparada para ser executada "em cumprimento do tempo" por D'us, Ele mesmo. Nós, o povo judeu, desempenhamos um papel neste drama - por causa dos gentios, o intento das nações, esses que antes de Yeshua, adoravam ídolos. Veja o seguinte verso:


"Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação. E se a sua queda é a riqueza do mundo, e a sua diminuição a riqueza dos gentios, quanto mais a sua plenitude! Porque convosco falo, gentios, que, enquanto for apóstolo dos gentios, exalto o meu ministério; (...) Porque, se a sua rejeição é a reconciliação do mundo, qual será a sua admissão, senão a vida dentre os mortos?" (Romanos 11:11-13,15)


Não está claro que os gentios receberam um benefício incalculável e inesgotável pelo fato de que alguns dos judeus (a liderança religiosa e política) rejeitaram Yeshua como o Messias? Então por que ao longo desses dois mil anos as igrejas perseguiram os judeus e culparam-nos pela morte de Yeshua? Os gentios deveriam ser os primeiros a se alegrar e dizer: "Graças a D'us que, pela rejeição de Yeshua por muitos dos povos judeus, recebemos a salvação!"


Sim, como um judeu que deu sua vida a D'us ao serviço do Messias, posso afirmar com certeza que as fontes judaicas são claras que o Sinédrio julgou Yeshua para que fosse morto. A má liderança que era principalmente judeus helenizados (os saduceus no Sanhedrin) entregou Yeshua aos romanos. Mas foram mãos romanas que seguraram o martelo que pregava os cravos nas mãos de Yeshua. Foram as mãos romanas que escreveram as palavras que sinalizavam o que pendia sobre a cabeça deste judeu galileu, "Yeshua de Nazaré, Rei dos judeus".


Hoje, enquanto a discussão entre judeus e cristãos é sobre se o filme do Mel Gibson, "A paixão de Cristo", tem valor ou causará danos, posso sugerir que a reação de judeus e cristãos deve ser um humilde arrependimento pelo pecado que fez D'us sacrificar Yeshua, um Homem que morre pelos pecados de muitos.
Em vez de apontar uns para os outros, a lembrança da morte de Yeshua e a ressurreição de Yeshua no terceiro dia devem causar a todos nós a responsabilidade pessoal por nossos próprios pecados que continuam infligindo dor e sofrimento no mundo e até mesmo naquele que morreu por nossas transgressões e sobre seus ombros carregou nossos pecados, Yeshua de Nazaré.

Eu oro para que o filme do Mel Gibson seja um testemunho tão poderoso e tão fiel às Escrituras que pessoas de todas as partes do mundo sejam tocadas por ele e queiram recorrer a D'us a aceitar a obra da Salvação, concretizada por Yeshua na Cruz Romana. Eu anseio e oro para que D'us use esse filme para tocar os corações dos homens em todos os lugares e que, em vez de provocar o ódio e o sentimento antissemita em todo o mundo, que este filme promova " paz na terra aos homens aos quais Ele concede o seu favor", e especialmente a compaixão e a benção para os irmãos e irmãs de Yeshua na carne, o povo judeu.


Tradução adaptada do artigo "Who killed Jesus" do Rabino Joseph Shulam.

.......................................... Shemuel ben Avraham (Marcos)




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