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Cada Shabat o Eterno nos traz conhecimentos profundos de sua vontade refletido na vida de nossos patriarcas, do povo de Israel nos trazendo a revelação do Mashiach.

Nossas festas e Dias solenes

Sempre reunidos para celebrar as mitsvót, os mandamentos da Toráh que o Eterno nosso D'us nos ordenou como sombras dos bens futuros. Grandes revelações nos são manifestadas que nos apontam a Yeshua nosso Rei.

O Judaísmo messiânico e o Acharít hayamim

É de suma importância observar os tempos e como devemos nos portar nesses últimos dias. Como testemunhas de Yeshua nesses tempos que nos mostram que o Templo já está as portas e o cenário mundial se prepara para o fim.

Os Segredos do Livro de João - Parte 2

Estudo sobre o Evangelho de João
Parte 2



No estudo anterior, tratamos sobre:

1.     Identidade do Autor

Como sendo Yochanan HaShaliach, o discípulo amado, aquele que recostou a cabeça ao peito do Mestre. Mencionamos Irineu de Lyon e Eusébio de Cesaréia como provas extra bíblicas da autoria de Yochanan, em que até mesmo os primeiros crentes o identificavam como sendo o autor. Juntamente com confirmações internas do Evangelho que atestam sua autoria. De forma resumida, Yochanan é, unanimemente, o autor do Quarto Evangelho.

2.     Biografia do Autor

Mencionamos os aspectos gerais da vida de Yochanan, sendo ele um galileu de família humilde e não estudada (porém, temente ao Eterno), filho de Zavdai e Shlomit (Zebedeu e Salomé), comparar Mateus 27:56 e Marcos 15:40-41. Trabalhava como pescador com seu pai, junto com Kêfa e André. Depois que se tornou discípulo do Mashiach, foi ungido com o Ruach HaKodesh e pregou veementemente as Boas-Novas de Yeshua. Era conhecido como uma das “Colunas” da Kehilá (Gl. 2:9), sendo o líder da comunidade de Éfeso, lugar em que passou grande parte da vida. Posteriormente, foi exilado pelo Imperador Domitianus para a Ilha de Patmos. Yochanan voltou para Éfeso, e expirou aos 94 anos, por morte natural.

3.     O Evangelho

Como vimos, o Evangelho de Yochanan foi escrito em aproximadamente 80-90 d.e.c., sob o contexto da recente Diáspora dos judeus, com a destruição do Templo no ano 70 d.e.c. Ele possui uma abordagem distinta em relação aos sinóticos, ressaltando o plano espiritual dos fatos; o que justifica ser conhecido como “Evangelho Espiritual”, que de fato foi o objetivo inspirado do autor.

4.     Primeiro Verso

Estudamos o primeiro verso com o objetivo de resgatar o pensamento original hebraico do autor. Para isso demandamos dos próprios textos bíblicos, e de comentários rabínicos antigos, que nos mostram a forma como os primeiros crentes enxergavam a natureza do Mashiach Yeshua. Definimos, a partir dessa ótica, a palavra Elohim como sendo:

1)    Um ser espiritual que possui algum domínio ou poder, como espíritos malignos e anjos; e na sua forma absoluta, refere-se ao Eterno, o que tudo domina.

2)    Um representante do Eterno, que está incumbido de realizar um atributo Divino, como os juízes de Israel, um porta-voz (ex. Moisés) e etc.

E vimos que tanto no grego como no hebraico, fica claro que Yochanan diferencia os termos e escreve de maneira precisa. Por fim, deduzimos que a melhor tradução semântica para Yochanan 1:1 é 

“No princípio, era a Palavra; e a Palavra estava com D’us, e a Palavra era Elevada, Poderosa, Grandiosa, Sublime.”

Continuando nosso estudo, no verso 2, Yochanan declara:

הוּא הָיָה בְּרֵאשִׁית עִם הָאֱלֹהִים

“Este estava com D’us;”

No segundo verso, Yochanan se utiliza de um pronome demonstrativo: ουτος (Houtos) que significa “este, estes e etc.”, na Septuaginta, os sábios se utilizaram desse pronome para traduzir a palavra זה (este, esse). No Evangelho de Yochanan, esse pronome é geralmente usado para dar ênfase a um substantivo previamente mencionado. Mas não somente isso, ele é usado também para demarcar a exclusividade do substantivo, ou seja, Yochanan se utiliza desse pronome para dizer que apenas ele (A Palavra, O Verbo) estava com D’us no princípio e nenhum outro. Sobre isso, o Rei Salomão declara:

מֵעוֹלָם נִסַּכְתִּי מֵרֹאשׁ מִקַּדְמֵי אָרֶץ

“Desde a eternidade fui ungida, desde o princípio, desde o começo da Terra.”

Declarando que a Palavra de D’us é anterior a própria criação. Nesse verso, encontramos um segredo que Salomão, inspirado pelo Ruach Hakodesh, nos deixou. Vemos o Sofei Teivot (análise das últimas letras das palavras) nas três palavras centrais, e nos vem uma palavra: י ש י (Yishai - Jessé). Aqui há uma referência a uma profecia de Isaías, onde é dito:

וְיָצָא חֹטֶר מִגֵּזַע יִשָׁי וְנֵצֶר מִשָּׁרָשָׁיו יִפְרֶה

“Então brotará um rebento do toco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará.” (Isaías 11:1)

Voltando ao verso em questão, Albert Barnes (1798-1870), clássico teólogo presbiteriano, nos traz um comentário interessante:

“Isso parece ser uma repetição do que ele já dissera no verso anterior; mas é enfatizado mais uma vez a fim de ‘guardar a doutrina’, e prevenir a possibilidade do erro. João escreve que a Palavra existia antes da Criação, e que ‘Ele estava com D’us’, mas não fica claro no primeiro verso que também a união entre a Palavra e D’us existia antes da criação; por isso, João assegura que não somente a Palavra existia antes da Criação, mas que também a sua união com o Criador também o era.”

Então, vemos aqui que Yochanan repete o fato dEle estar com D’us para ressaltar a união que a Palavra tem com o Criador. Assim como posteriormente, Yochanan dirá:

“Ninguém jamais viu a D’us; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” (João 1:18)

Yeshua possui uma intimidade com D’us que nenhum outro ser tem. Por isso Yeshua diz:

“Eu e o Pai somos um.” (João 10:30)

Não como a teologia trinitariana prega, mas sim, Yeshua e HaShem são concordantes, consoantes em pensamento e vontade. Nossos próprios sábios nos dirão coisas semelhantes:

Zohar I, 24a; II, 60a

“A Torá e o Santo, bendito seja Ele, são verdadeiramente um.”

Tanya, Likutei Amarim cap. 4

“A Torá, sendo o intelecto de D’us, é assim uma com o próprio D’us, enquanto um judeu une-se a ela, ele está unido com o próprio D’us.”

Pois assim Yeshua mesmo diz:

“Não oro somente por estes discípulos, mas igualmente por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da mensagem deles, para que todos sejam um, ó Pai, como Tu estás em mim e Eu em Ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que Tu me enviaste. Eu lhes tenho transferido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos.” (João 17:20-22)

Desse verso, entendemos que a unidade entre Yeshua e HaShem não é conforme a filosofia trinitariana, mas sim, eles são um em pensamento e vontade. Nesse verso, Yeshua está mencionando uma profecia de Jeremias, em que é dito:

“E lhes darei um só propósito, um só coração e um só Caminho; a fim de que me amem com amor reverente para sempre, para o seu bem e para o bem de seus filhos no futuro.”

Portanto, através do Ruach Hakodesh e o testemunho de Yeshua cumpriu-se essa profecia com a Brit Chadashá.

Esses primeiros versos do Evangelho são muito importantes para a compreensão da relação entre Yeshua e Ad-nai, muitas das vezes mau compreendidos por muitos; por isso procuramos trazer sempre a base escriturística de todos os ensinamentos propostos. Tão grande é a importância desses versos que é mencionado no comentário de Matthew Henry:

“Austin diz (de Civitate Dei, lib. 10, cap. 29) que seu amigo Simplicius disse a ele que ele ouviu de um filósofo platônico [convertido] que os primeiros versos do Evangelho de João eram dignos de serem escritos em letras de puro ouro.”

Isso nos traz à realidade que esses versos são mais profundos do que podemos imaginar, e que apenas pela inspiração de D’us puderam ser escritos.

Ainda outro aspecto do verso 2 que podemos trazer é relatado no Vicent’s Word Studies in the New Testament:

“Nessa segunda proposição, a Palavra é posta em relação íntima com o Criador. Esse verso forma o ponto de transição para a discussão da natureza da Palavra e sua manifestação na Criação (...) A ideia do termo ‘Palavra’ envolve conhecimento, vontade, sabedoria e força; relacionado a função criativa de D’us. Logo, há uma grande ligação entre tal Palavra e as criaturas, especialmente o homem; pois sua criação prepara o caminho para a manifestação em carne da Palavra e a Obra da Redenção. A conexão entre a Criação e a Redenção é comumente compreendido, pois é dito: ‘Eu vos criei, e Eu vos levarei’ (Isaías 46:4).”

Dessa forma, entendemos por que Yochanan fala da manifestação da Palavra (Redenção) juntamente com a menção da Criação, pois estão intimamente relacionadas.

Continua...

................................................................. Shemuel (Marcos)
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O Evangelho de Marcos - Parte 1

O Evangelho de Marcos
Parte 1




Uma das questões mais importantes que precisamos responder a nós mesmos é "Quem é o Messias?". Não somente para conhecer a sua identidade, mas também o que ele fez e ainda irá fazer. Se não o conhecermos devidamente, corremos o risco de assumir uma postura inadequada perante ele. É com o intuito de responder essa pergunta que vamos estudar os Evangelhos, mais propriamente o livro de Marcos. Vamos analisar os capítulos, versículos e até mesmo determinadas palavras, de tal forma que a nossa compreensão seja a mais apropriada possível. Vamos analisar como foi o seu ministério, porque ele veio e porque retornará.

Primeiro Verso


"Princípio do Evangelho de Yeshua HaMashiach, Filho de D'us."


A primeira palavra que vemos no livro de Marcos é "princípio". Existe alguma explicação para isso? Do mesmo jeito que Marcos começa o seu evangelho com a palavra "princípio", nós vemos que o livro de Gênesis se inicia com a palavra bereshit, que significa "no princípio". Há uma conexão, portanto, entre o capítulo inicial de Gênesis e o que veremos no capítulo inicial de Marcos. Enquanto o livro de Gênesis se dedica a falar sobre a criação, Marcos está focado em tratar sobre a redenção. De acordo com os sábios do povo judeu, esses dois conceitos estão ligados um ao outro, sendo que um dos meios pelos quais se define a redenção no judaísmo é a segunda criação. 

O livro de Marcos continua dizendo: "Princípio do evangelho". Quando se lê a palavra evangelho, o que vem à mente? Alguém diria que são boas-novas e realmente são. Mas o termo evangelho significa especificamente boas-novas concernentes a redenção. Um judeu que ouvisse essa palavra poderia dizer "Isso não se aplica a mim! Evangelho é um conceito gentílico.". Mas na verdade esse termo é muito usado pelo profeta Isaías. A palavra hebraica usada por Isaías para se referir a evangelho é levasser¹, que basicamente quer dizer evangelizar ou compartilhar as boas-novas. Essa palavra divide sua raiz com bassar, que significa carne em hebraico. O evangelho é, no fim das contas, as boas novas de que "o Verbo se fez carne e habitou entre nós"².

Marcos segue escrevendo: "Princípio do evangelho do Messias Yeshua, Filho de D'us". Não haveria nenhum problema se Marcos descrevesse Yeshua como Messias apenas. Mas ele faz questão de destacar a sua identidade como Filho de D'us. Esse mesmo título reaparece no momento que Yeshua está diante do sanhedrin (sinédrio). O sumo sacerdote pergunta a ele: "És tu o Messias, Filho do D'us Bendito?", e Yeshua afirma: "Eu sou". O sumo sacerdote, então, rasga as suas roupas e diz: "Ouvistes a blasfêmia". Quando Yeshua diz que realmente é o Filho de Hashem atribui a si um caráter divino, como sendo aquele que veio para fazer o trabalho da redenção. Ser Filho de Hashem é o mesmo que estar um patamar abaixo do Todo-Poderoso.


Segundo Verso

"Como está escrito nos profetas: Eis que Eu envio o Meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti."


No versículo 2, Marcos escreve: "Conforme está escrito na profecia de Isaías". Dentre os profetas, Isaías era um dos mais bem conhecidos. A cada shabat (sábado) se lê uma porção da Torá e uma dos profetas, sendo Isaías o profeta lido com maior frequência. Marcos menciona Isaías por uma razão simples. Sua intenção é mostrar os planos de Hashem para trazer salvação.

Terceiro e Quarto Verso

"Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Eterno, endireitai as suas veredas.
Apareceu João Batista no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados."

Logo após a citação da passagem de Isaías, vemos no versículo 4 a quem ela se refere: "apareceu João Batista no deserto". O livro de Números em hebraico é conhecido como Bamidbar, que literalmente significa "no deserto". Nós sabemos que Hashem sentenciou o povo a caminhar quarenta anos por essas regiões. Mas por que especificamente em um deserto? Ninguém consegue viver facilmente em um lugar tão inóspito. Hashem estava ensinando o seu povo a confiar nEle, depender dEle e contar com Ele. O motivo pelo qual João preparava o caminho do Senhor em um deserto é a mensagem passada por essa região. Ele quer nos ensinar a contar com Hashem, a confiarmos nEle. E o meio pelo qual fazemos isso é baseando as nossas vidas na palavra de Hashem. João não foi para a cidade mais populosa nem para a cidade santa de Jerusalém e começou a pregar. Ele foi para o deserto, onde não havia ninguém. E devido à unção que havia sobre ele e ao chamado de Hashem na sua vida, pessoas começam a ir até ele.

Ao mencionar João, Marcos emprega um título às vezes problemático. O termo batista, tal como evangelho, é tido como uma invenção dos gentios, que não possui nenhuma relação com o judaísmo. Mas seu significado é literalmente aquele que imerge ou realiza imersões. Na verdade, imersões sempre fizeram parte de vida judaica. Se você for a Israel visitar um sítio arqueológico e perguntar ao guia como ele sabe que aquelas construções foram de uma antiga comunidade judaica, ele lhe explicará que a presença de micvot são a prova disso. Micvê é uma piscina própria para banhos de purificação.

Uma das maiores expressões de imersão para o povo judeu é a passagem pelo Mar Vermelho durante o êxodo do Egito. O conceito de imersão transmite a ideia de transição, mudança, ser santificado para uma finalidade. O que nós vemos é que João foi separado para um propósito e está chamando outras pessoas, a fim de se prepararem para esse mesmo propósito, que é o reino de D'us. Toda a discussão dos quatro evangelhos e dos outros escritos da Brit Chadashá (Novo Testamento) giram em torno do reino de Hashem. A primeira fala de Yeshua registrada por Marcos é: "O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo; arrependei-vos e crede no evangelho"³.

Ainda no versículo quatro, está escrito: "pregando batismo de arrependimento para remissão dos pecados". A palavra hebraica para arrependimento, teshuvá, pode ser simplesmente traduzida como "voltar". Algumas vezes também pode ser entendida como "resposta". Mas nesse contexto, o termo se refere a um retorno baseado na verdade. No grego, a palavra para arrependimento, metanoya, revela algo a mais. Esse termo é constituído de duas palavras diferentes: meta e noya. Meta significa "com" ou "depois" e noya, "conhecer" ou "conhecimento". Arrependimento é o que você faz com o conhecimento, com a verdade de Hashem, com o fato dEle ser santo e ter chamado o seu povo para ser santo; é o que você faz com a sua palavra que nos mostra as suas expectativas e como nós todos pecamos e estamos destituídos da glória de D'us. Depois que se toma conhecimento existe a responsabilidade de colocar aquela verdade em prática. O objetivo principal desse estudo não é somente conhecer quem é o Messias ou o que ele fez, mas também promover uma reação condizente com tudo isso.

Quinto Verso



"E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com ele; e todos eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados."


No versículo cinco, nós lemos: "Saíam a ter com ele toda a província da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém". Como seria possível que essas pessoas estivessem saindo de suas cidades e indo ver João no meio do deserto? A resposta é que elas eram movidas pela verdade. Elas tinham convicção que precisavam fazer aquilo. E quanto a nós, somos movidos pela verdade de D'us? Nós reagimos de forma condizente ou continuamos tendo a vida que queremos? Se ofertamos as nossas vidas a Hashem, não ficamos mais no controle, não vivemos mais em desobediência e em rebelião contra Ele.

Sexto Verso


"E João andava vestido de pêlos de camelo, e com um cinto de couro em redor de seus lombos, e comia gafanhotos e mel silvestre."


No versículo seis, Marcos segue escrevendo: "As vestes de João eram feitas de pelos de camelo". Hoje em dia, é possível ir a uma loja e comprar uma roupa de pelos de camelo. Mas a dois milênios atrás no Oriente Médio, roupas desse tipo não eram uma coisa desejável. Animais como o camelo eram utilizados para o transporte. Não seria razoável abater um camelo para se tirar o seu couro. As pessoas só pensariam em fazer isso se o animal morresse ou se ele não tivesse mais forças para trabalhar, por motivo de doença ou velhice. Seu couro já não seria mais bonito como de um animal jovem e saudável. Esse seria o tipo de roupa mais simples para se vestir. Ao invés de investir dinheiro em roupas, João usa aquilo que havia de mais barato, aquilo que era quase gratuito.

Além das vestes feitas de pelos de camelo, Marcos faz questão de relatar que João usava um cinto. Frequentemente na Bíblia, usar cinto expressa a prontidão da pessoa em servir. Quando os filhos de Israel comemoraram Pessach (páscoa judaica) pela primeira vez no Egito, eles foram encomendados a comerem com suas sandálias nos pés e com seus lombos cingidos. A razão disso era estar pronto para ir embora e servir a Hashem. João foi alguém que não dava ênfase às coisas desse mundo, mas, sim, a estar preparado para levar a vontade de Hashem.

Continuando no mesmo versículo, vemos que João possuía uma alimentação bastante singular: "e se alimentava de gafanhotos e mel silvestre". Se você fizer uma busca mais aprofundada sobre o que seria esse mel, verá que, na verdade, era uma comida pastosa feita com tâmaras ou figos⁴. Muitas das vezes feita com as frutas que estavam caídas no chão. A simplicidade de João com as coisas desse mundo é reiterada por Yeshua: "Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. [...] Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam"⁵. Nenhum deles se preocupa com sua comida ou vestimenta, mas mesmo assim são impressionantes com suas cores, formas, etc. A explicação é que eles confiam em Hashem. Da mesma forma, João estava confiando em Deus; estava focando na mesma coisa que Yeshua veio estabelecer, o reino de D'us.

Sétimo Verso

"E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais forte do que eu, do qual não sou digno de, abaixando-me, desatar a correia das suas alparcas."

O versículo sete diz: "E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias". Para quem lê, é importante lembrar que, dentre os nascidos de mulher, ninguém era maior que João. Mesmo assim, ele se diz nada comparável à figura do Messias. João entendia quem era o Messias; sabia que ele era o Filho de D'us e que não era um mero homem.

Oitavo Verso


"Eu, em verdade, tenho-vos batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Ruach HaKodesh."


Marcos prossegue dizendo no versículo seguinte: "Eu vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo". Yeshua ainda não começou o seu ministério e já vemos o Ruach Hakodesh (Espírito Santo) ser mencionado. De fato, o Ruach Hakodesh é citado ainda mais cedo. Todo shabat (sábado) nas sinagogas, se lê uma passagem de Isaías⁶ que fala como o Redentor viria de Sião. Nesse mesmo trecho, vemos que, em seguida, o Espírito de Deus seria colocado em seu povo. A melhor maneira para entender a mensagem contida na Brit Chadashá é entendo a mensagem do Tanach (Velho Testamento). A toda hora, observamos menções sendo feitas às escrituras. Vemos várias informações que seriam melhor compreendidas por pessoas daquela época e que, muitas vezes, passam despercebidas por nós que vivemos em um tempo diferente, numa cultura diferente, falando uma língua diferente.

Ainda no versículo oito, está escrito que o Messias iria batizá-los no Ruach Hakodesh. Quando João fala isso, está nos dizendo que Yeshua faria a remição de Israel; que ele pagaria o preço para o Ruach Hakodesh habitar em nós. No livro de Gênesis, aprendemos que a terra estava sem forma e vazia, e o Espírito de D'us pairava sobre a face das águas. Logo depois, ordem é gerada. Aquilo que estava um caos é transformado pelo Ruach Hakodesh e passa a ser bom aos olhos do próprio D'us. Yeshua veio a fim de trazer ordem às nossas vidas.

Essa é a primeira parte do nosso estudo sobre o livro de Marcos. Na próxima parte, daremos sequência com o versículo nove. Veremos mais um pouco sobre a identidade do nosso Messias Yeshua e o início de sua obra.

Notas:

1 - Isaías 40:9, 41:27, 52:7 e 61:1

2 - João 1:14

3 - Marcos 1:15

4 - John Gill’s Exposition of the Bible

5 - Mateus 6:26,28

6 - Isaías 59:20-21

Bibliografia: aqui

................................... Avraham (Lucas)
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Os Segredos do Livro de João - Parte 1

Os segredos do Livro de João
Parte 1



Concentramo-nos nos 14 primeiros versos do Livro de João, e analisaremos, com a benção de D'us, exaustivamente seu conteúdo através dos escritos talmúdicos, midráshicos e comentários clássicos neotestamentários.

INTRODUÇÃO
(Identidade do escritor e sua Biografia)

Embora o nome do autor não apareça no Evangelho, a tradição antiga dos primeiros crentes de maneira forte e consistente o identificou como sendo Yochanan (João). Irineu (130-200 d.e.c.), discípulo de Policarpo (70-160 d.e.c.), de abençoada memória, que por sua vez foi discípulo de Yochanan, testificou em nome da autoridade de Policarpo que Yochanan escreveu o Evangelho já em idade avançada, durante o tempo em que morou em Éfeso, na Ásia Menor (vide Contra Heresias 3.1.1). Depois de Irineu, todos aceitaram Yochanan como seu autor, sem muitos críticos. Clemente de Alexandria (150-215 d.e.c.) escreve que João, ciente dos fatos relatados nos outros Evangelhos e sendo movido pelo Espírito de D'us, compôs, o que ele chamou de "Evangelho espiritual" (História Eclesiástica de Eusébio 6.14.7). De fato, percebemos que Yochanan traz expressões e conceitos muito profundos, principalmente nos seus primeiros capítulos do Evangelho; sem contar as suas cartas.
Reforçando tal tradição, há características internas significativas no Evangelho. Enquanto os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas identificam a pessoa de Yochanan por nome aproximadamente 20 vezes (incluindo passagens paralelas), o seu nome não é diretamente mencionado no Livro de João. Em vez disso, o autor prefere identificar-se como o discípulo "a quem Yeshua amava" (13:23; 19:26; 20:2; 21:7,20). No entanto, a repetida autodesignação como o discípulo "a quem Yeshua amava", a omissão deliberada de Yochanan do seu nome pessoal, reflete a sua humildade e celebra o seu relacionamento com seu Senhor Yeshua. Não havia necessidade de mencionar o seu nome, pois os leitores originais entendiam claramente que ele era o autor do Evangelho. Além disso, mediante um processo de eliminação baseado na análise de material nos capítulos 20-21, esse discípulo "a quem Yeshua amava" acaba se revelando como sendo Yochanan (por exemplo em 21:24; 21:2).
O anonimato do Evangelho reforça em muito os argumentos a favor da autoria de Yochanan, pois somente alguém de autoridade bastante conhecida e proeminente como ele poderia ser capaz de escrever um livro sem precisar se quer ser identificado.

Yochanan e Yaakov (Tiago), seu irmão mais velho, eram filhos de um pescador galileu chamado Zebedeu (Marcos 3:17). [Sobre a expressão Bnei Régesh, esse nome dado aos dois irmãos era uma referência à sua personalidade forte e franca (Marcos 9:38; Lucas 9:54)].

Junto à maioria dos jovens de sua época e local, Yochanan, em sua infância, não fora aprofundado nos estudos das Escrituras; porém, após estar com o Mestre e ser cheio do Espírito (o que inclui a Sabedoria) tornou-se um exímio pregador da Salvação de D'us, anunciando as Boas-Novas junto aos demais discípulos (Atos 4:13). Yochanan é um dos três amigos mais íntimos do Mestre (juntamente com Pedro e Tiago - vide Mateus 17:1; 26:37), tendo sido testemunha ocular e participante ativo do ministério terreno de Yeshua (1Jo 1:1-3). Depois da ascensão do Mestre, Yochanan tornou-se "coluna" da congregação de Jerusalém (Gálatas 2:9). Ministrou juntamente com Kêfa (Atos 3:1; 4:13; 8:14) até ir para Éfeso (a tradição diz que antes da destruição do Templo), onde escreveu esse Evangelho e de onde os romanos o exilaram para Patmos (Ap 1:9). Além do Evangelho que leva seu nome, Yochanan também redigiu 1-3João e o Sêfer Hitgalut (Apocalipse).
Levando em conta os escritos dos primeiros crentes que indicam que Yochanan estava escrevendo ativamente quando idoso e que tinha conhecimento dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, muitos datam o Evangelho algum tempo depois da composição dos sinóticos, porém antes de Yochanan redigir 1-3João e Apocalipse. Yochanan escreveu o seu Evangelho em aproximadamente 80-90 d.e.c.
Yochanan viajou muito, trabalhou incessantemente e, depois de tornar-se líder das comunidades da Ásia, estabeleceu-se em Éfeso, aproximadamente no ano 90 d.e.c. Em Éfeso, no ano 103 d.e.c., Yochanan expirou e foi congregado ao seu povo aos 94 anos, por morte natural.


PRIMEIRO VERSO

בְּרֵאשִׁית הָיָה הַדָּבָר וְהַדָּבָר הָיָה עִם הָאֱלֹהִים, וְהַדָּבָר הָיָה אֱלֹהִים

"No princípio, era a Palavra; e a Palavra estava com o Elohim; e a Palavra era Elohim."

O Sêfer Yochanan (Livro de João) começa de forma paralela à Torá, começando com a expressão בראשית (bereshit), que significa "no princípio". Para nos ensinar que desde o princípio da Torá (isto é, o princípio da Criação), Yeshua já era a Palavra na qual o Eterno utilizou para tudo criar. Como está escrito no Livro de Provérbios (8:22;30):

יְהוָה קָנָנִי רֵאשִׁית דַּרְכּוֹ (...) וָאֶהְיֶה אֶצְלוֹ אָמוֹן

"O Eterno me criou como o princípio de Seu caminho (...) e eu estava do Seu lado como um arquiteto."

Veja que o Rei Salomão, em sua inspiração Divina, denomina essa Palavra como "Amon", que em hebraico significa "arquiteto, artífice". Mas que provém da mesma raíz do verbo "Lehaamim", que significa "acreditar, confiar, creditar"; Yeshua se identifica como sendo, portanto, o meio pelo qual o Eterno fez toda Sua criação, sendo assim, testemunha de Seus feitos, como Ele mesmo afirma: "Estas coisas diz o Amén, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da Criação de D'us." (Apocalipse 3:14).
Comparando as duas expressões, vemos que com a ausência dos sinais massoréticos, as duas palavras são idênticas. Ou seja, Yeshua está nos ensinando que ele é aquele que Salomão descreveu em Provérbios 8.

O que concluímos que YESHUA É O PRINCÍPIO DE TODA A CRIAÇÃO.

E isso não é apenas informado nos escritos neotestamentários; os próprios rabinos entendem que o Mashiach antecedeu a Criação:

Talmud (Nedarim 39b)

שבעה דברים נבראו קודם שנברא העולם אלו הן תורה ותשובה גן עדן וגיהנם כסא הכבוד ובית המקדש ושמו של משיח

“Sete coisas foram criadas antes que o mundo fosse formado: A Torá, A Teshuvá, O Jardim do Éden, O Gehinam, O Trono da Glória, O Templo e O nome do Mashiach (...) O nome do Mashiach como está escrito: O seu nome [do Mashiach] durará para sempre, e [existe] antes que o Sol [Salmos 72:17].”

Midrash (Agadot Hayehudim 1:1)

“No princípio, dois mil anos antes da criação dos Céus e da Terra, sete coisas foram criadas: A Torá, escrita com fogo preto sobre fogo branco, repousando no “seio” de D’us; O Trono Divino, eregido nos Céus, que posteriormente, estaria sobre as cabeças das Chaiot; O Paraíso, à direita de D’us; O Gehinom, à esquerda de D’us; O Santuário Celestial, diretamente à frente de D’us, tendo uma jóia fincada no Altar, onde está esculpido o Nome do Mashiach.”

Midrash (Pessikta Rabati 33:1)

אתה מוציא מתחילת ברייתו של עולם נולד מלך המשיח שעלה במחשבת עד שלא נברא העולם כן הוא [אומר] ויצא חוטר מגזע ישי (ישעיה י"א א') אינו אומר כאן וְיָצָא אלא וַיֵּצֵא

“Você encontrará que no começo da criação do Universo, o Rei Messias já veio a ser, porque ele já existia no pensamento de D’us muito antes do Universo ter sido criado. Da sua existência as Escrituras dizem, ‘e brotou um tronco de Jessé’ [Isaías 11:1], não diz ‘brotará’, mas sim ‘brotou’, implicando que o Rebento da raíz de Jessé já veio a existir.”

Outras referências que corroboram:

1.   Pessachim 54a;
2.   Midrash Tehilim 93:2;
3.   Pirkei D’Rabi Eliezer 3:3;
4.   (Otsar Midrashim) Pirkei Rabeinu Hakadosh 3:2;
5.   (Otsar Midrashim) Chupat Eliahu, Chupa 28;
6.   (Otsar Midrashim) Pessikta Chadata 37.


Outra interpretação: Por que Yochanan começa seu livro com “Bereshit”?

Já sabemos que o primeiro verso do Livro de João é claramente baseado no primeiro do Livro de Gênesis.
Gênesis é o livro de todos os começos. Ele registra o começo da Criação, o começo do tempo, o começo da vida, o começo do homem, o começo da mulher, o começo do pecado, o começo da agricultura, o começo da criação de rebanhos, o começo da morte, o começo da criação de tendas, o começo das ferramentas de bronze e ferro, o começo da música, o começo das línguas, o começo da caça, o começo dos povos, o começo do povo de Israel e etc.
De forma semelhante, Yochanan tem o objetivo de explanar o começo da História da Salvação humana. Por isso que a vinda de Yeshua é chamada de "boa nova", em que o anjo de D'us declara:

כִּי הִנְנִי מְבַשֵּׂר לָכֶם שִׂמְחָה גְדוֹלָה אֲשֶׁר תִּהְיֶה לְכָל הָעָם. הַיּוֹם נוֹלַד לָכֶם מוֹשִׁיעַ בָּעִיר דָּוִד, הוּא הַמָּשִׁיחַ הָאָדוֹן

“... eis que vos trago boa nova de grande alegria, que será para todo o povo: hoje vos nasceu o Salvador, na cidade de David; o Senhor Messias.” (Lucas 2:10-11).

Dessa forma, Yochanan declara a todos que apesar do Mashiach (Messias) ter se revelado fisicamente milênios após a Criação, sua existência precede-a.

Prosseguindo, (João 1:1)

וְהַדָּבָר הָיָה עִם הָאֱלֹהִים

“(...) e a Palavra estava com o Elohim.”

O que significa a palavra “Elohim”? Elohim é uma palavra hebraica que normalmente significa D’us. No entanto, seu significado dependerá do contexto gramatical, pois também pode indicar “deuses”, “anjos” ou “homens poderosos”.

Na maioria das vezes, o seu sentido nas Escrituras significa o único e verdadeiro D’us de Israel (Gênesis 1:1; 3:5; Jeremias 10:10; Deuteronômio 4:32-35).

Como vimos, essa mesma palavra também é utilizada para se referir às divindades das nações pagãs vizinhas de Israel. Nesse caso, seu significado deve ser entendido como sendo “deus”, “deuses” ou “deusas”. Outro exemplo desse tipo de uso da palavra Elohim, é quando ela é aplicada ao deus dos amonitas, Quemosh (Juízes 11:24) e a deusa dos sidônios, Ashtoret (1 Reis 11:5).

A palavra Elohim também pode ser aplicada para designar homens poderosos, por exemplo, “juízes” (Êxodo 21:6; 22:8).
Essa palavra também pode se referir a seres divinos, como “anjos”. Como por exemplo: Salmo de Asafe (Salmo 82:1).
Nossa literatura traz a seguinte definição para essa palavra:

Sefer HaKuzarí (Diálogo 4:1)

“O sábio disse: O nome Elohim é um termo descritivo, que significa ‘Aquele que governa e julga’. Algumas vezes designa o domínio de todo o Universo e, por outra, partes dele, tais como as forças da natureza e esferas Celestiais. Este termo também é usado como título de uma pessoa que julga entre litigantes.”

Sefer HaKuzarí (Diálogo 4:3)

“O nome El deriva da palavra eialút, que significa poder, controle e origem de todas as forças.”

Porém, essa definição ainda não abrange todo o potencial da palavra Elohim. Para compreendermos melhor vamos analisar Êxodo 7,1:


וַיֹּאמֶר יְהוָה אֶל-מֹשֶׁה רְאֵה נְתַתִּיךָ אֱלֹהִים לְפַרְעֹה וְאַהֲרֹן אָחִיךָ יִהְיֶה נְבִיאֶךָ

“Então, disse o Eterno a Moisés: Vê que te constituí como Elohim sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será teu profeta.”

Desse verso, também derivamos que todo aquele que adquire algum atributo Divino pode ser chamado de Elohim. Seja porta-voz, como o foi Moisés; ou exercendo a justiça, como os juízes. Portanto, há duas definições para quando o termo Elohim aparece nas Escrituras:

1)  Um ser espiritual que possui algum domínio ou poder, como espíritos malignos e anjos; e na sua forma absoluta, refere-se ao Eterno, o que tudo domina.

2)  Um representante do Eterno, que está incumbido de realizar um atributo Divino, como os juízes de Israel, um porta-voz (ex. Moisés) e etc.

Portanto, quando voltamos para João 1:1, vemos que na segunda parte, o termo Elohim é claro e evidente que se refere ao Eterno, visto que o artigo definido demonstra isso. Até mesmo nos manuscritos gregos, há a presença do artigo como se vê:


εν αρχη ην ο λογος και ο λογος ην προς τον θεον και θεος ην ο λογος


“Kai hô logos en pros ton teon” (Textus Receptus).

Ton é o artigo acusativo masculino no singular.
Finalizando essa parte, vemos Yochanan, aqui, revelando a intimidade que a Palavra tinha com D’us no início da Criação. O Rei Salomão declara:

וָאֶהְיֶה אֶצְלוֹ אָמוֹן

"e eu estava do Seu lado como um arquiteto."

O Rei Salomão declara a interação que o Mashiach teve com D’us, juntamente com a sua função. Sobre sua interação, primeiramente, ele diz: “Eu estava do Seu lado”.

Geralmente os anti-missionários trazem a seguinte objeção: “Não está escrito em Isaías 40,14: ‘Com quem tomou Ele conselho, para que lhe desse entendimento?’? O Eterno não precisa de conselheiro do Seu lado para criar o mundo!”
De fato, o Eterno não utilizou-se de conselheiro, Yeshua não foi um conselheiro na Criação, pois o Eterno e Yeshua são consoantes em pensamento; não divergem nem sequer por um único momento em suas intenções, como Yeshua mesmo dirá: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também (...) Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto Ele faz, o filho o faz igualmente”. Portanto, HaShem quando faz a Criação, não necessitou de conselho pois primeiro, não há quem possa aconselhar o Criador Soberano, e segundo que Yeshua comunga dos meus pensamentos que o Criador. Yeshua foi o meio pelo qual o Eterno criou todas as coisas.

Prosseguindo, João 1,1:

בְּרֵאשִׁית הָיָה הַדָּבָר, וְהַדָּבָר הָיָה עִם הָאֱלֹהִים, וְהַדָּבָר הָיָה אֱלֹהִים

“No princípio, era a Palavra; e a Palavra estava com o Elohim, e a Palavra era Elohim.”

Conhecendo, agora, a definição e o contexto original do termo Elohim, conseguimos entender melhor o que o escritor nos transmite. Pois dessa vez, não há a presença do artigo definido.


Tanto no hebraico como nos manuscritos gregos, como se vê:


εν αρχη ην ο λογος και ο λογος ην προς τον θεον και θεος ην ο λογος

Ou seja, o termo Elohim, na terceira parte do verso, não está no seu absoluto, significando o D’us Todo-Poderoso, mais sim, que a Palavra era Poderosa, Elevada, possuindo autoridade e assim por diante. Portanto, a tradução interpretativa de tal, baseado no seu contexto hebraico original (pois cabe lembrar que Yochanan possuía uma mente hebraica): 

“No princípio, era a Palavra; e a Palavra estava com D’us, e a Palavra era Elevada, Poderosa, Grandiosa, Sublime.”

Continua...

............................................................. Shemuel (Marcos)
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