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Cada Shabat o Eterno nos traz conhecimentos profundos de sua vontade refletido na vida de nossos patriarcas, do povo de Israel nos trazendo a revelação do Mashiach.

Nossas festas e Dias solenes

Sempre reunidos para celebrar as mitsvót, os mandamentos da Toráh que o Eterno nosso D'us nos ordenou como sombras dos bens futuros. Grandes revelações nos são manifestadas que nos apontam a Yeshua nosso Rei.

O Judaísmo messiânico e o Acharít hayamim

É de suma importância observar os tempos e como devemos nos portar nesses últimos dias. Como testemunhas de Yeshua nesses tempos que nos mostram que o Templo já está as portas e o cenário mundial se prepara para o fim.

Os Segredos do Livro de João - Parte 6


Evangelho de João
Parte 6



No estudo anterior, tratamos sobre a personalidade de Yochanan Hamatbil e a natureza do seu ministério. Nos versos 6-8, o apóstolo João declara que João Batista, apesar de sua proeminência e destaque na época, não era o Messias Prometido. E o próprio João Batista tinha plena compreensão disso e afirmou:
Mateus 3:11
“Aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as alparcas.”
Marcos 1:7
“É mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de, inclinando-me, desatar a correia das alparcas.”
Apesar da sua grandeza espiritual, o Messias que viria após Yochanan teria um ministério muito mais elevado e sublime. O ministério de Yochanan (na virtude de Elias) é comparado a um “corredor”, enquanto o ministério de Yeshua é o “salão principal”. As pessoas se preparam no corredor para entrarem bem vestidas no salão principal, da mesma forma, Yochanan batizava em águas para que o povo da terra estivesse preparado para receber as águas da vida eterna, que só Yeshua poderia dar.
Por isso, o escritor do Evangelho dirá com todas as palavras:
João 1:8
“Ele não era a Luz, mas veio para dar testemunho da Luz.”
Uma testemunha só é requerida quando há ignorância sobre um fato, ou quando se quer verificar se o fato é verídico. Por isso, antes da aparição do Messias Prometido, D’us envia uma testemunha fiel e verdadeira (João, na virtude de Elias) para planificar as concepções de messianidade e retificar as expectativas que as pessoas tinham com respeito ao Filho de D’us. Exatamente o que D’us proclama como principal missão de Elias: “converter o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais, para que Eu não venha, e fira a terra com maldição” (Malaquias 4:6).
A que isso tudo é comparado?
É como um grande rei que deseja visitar uma de suas províncias, e antes de sua visita, envia um mensageiro (testemunha) declarando a visita real com todos os seus detalhes e nuances. Para que os aldeões não sejam pegos desprevenidos na visita e acabem desonrando a presença do rei, por não terem se preparado.
A Lua também atua na mesma função de uma testemunha, porque à noite ela reflete uma porção da luz do Sol, e portanto, nos assegura a vinda dele. E quando o Sol começa a brilhar, a Lua mesma tornar-se quase que invisível.
Ou seja, disso aprendemos que uma verdadeira testemunha de Yeshua deve se auto anular a todo instante em que estiver diante de seu Senhor, porque apenas assim ela cumprirá sua missão de emissário (Shaliach). Como Shaul HaShaliach dirá: “Já estou crucificado com o Mashiach; e vivo não mais eu, mas o Messias vive em mim” (Gálatas 2:20).
Surge-nos a pergunta: o que é estar crucificado com o Mashiach? As Santas Escrituras dirão: “E os que são de Yeshua HaMashiach crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (Gálatas 5:24). Ou seja, estar “crucificado com o Mashiach” é abandonar sua velha natureza de pecados deliberados e transgressões alheias, expurgando suas “trevas” de dentro si para que a verdadeira Luz alumie a alma do ser humano.


Continuando com o verso 9 do Evangelho, lemos:
“Ele é a Luz verdadeira, que alumia todo homem que vem ao mundo.”
Quando lemos as várias versões bíblicas desse verso, encontramos duas formas de tradução para ele; e elas são:
1.    “Pois a verdadeira Luz, que alumia todo homem, estava chegando ao mundo.” (João Ferreira de Almeida, versão 1967)
2.    “Ele era a Luz verdadeira, aquela que ilumina a todo o homem que vem para o mundo.” (Bíblia Literal do Texto Tradicional e King James Traduzida)
Analisando as versões mais fidedignas ao texto original, como por exemplo, a tradução hebraica de Franz Delitzsch, encontramos o veredito final como sendo a segunda tradução. Ou seja, a melhor forma de traduzirmos o verso 9 do Evangelho de João é da seguinte forma:
“Ele é a Luz verdadeira, que alumia todo homem que vem ao mundo.”
E nesse texto, encontramos uma expressão muito interessante. O Apóstolo João nomeia Yeshua como sendo “A Luz Verdadeira” (האור האמיתי). O teólogo Albert Barnes traz o seguinte comentário:
“Ele não é um falso, incerto, perigoso guia, mas sim, verdadeiro, real, firme e digno de confiança. Uma luz falsa é aquela que leva ao perigo ou ao erro, pois um farol falso [i.e., que esteja mal regulado] nas margens do oceano pode levar os navios a rochas ou a pântanos e precipícios mortais. Uma luz verdadeira é aquela que não nos ilude, pois o verdadeiro farol pode nos guiar para o porto ou nos alertar do perigo. O Messias não se engana. Todos os falsos mestres, porém, o fazem.”
Yochanan diz que Yeshua é a verdadeira Luz, para nos ensinar que apenas dele podemos aprender a completa verdade das Escrituras. Se não buscarmos o discernimento existente em Yeshua, de nenhuma maneira, vamos alcançar o correto entendimento da Palavra de D’us.
E essa Luz verdadeira resplandece sobre todo homem que vem a este mundo. Não somente aos judeus, e nem tão pouco apenas para os gentios. Pois, sobre os gentios, D’us mesmo dirá: “Te porei para Luz das nações, para seres a Minha Salvação até a extremidade da terra” (Isaías 49:6); e, sobre Israel, o profeta diz: “Levanta-te, ó Jerusalém, resplandece, porque é chegada a tua Luz, e é nascida sobre ti a glória do Eterno” (Isaías 60:1).
Assim como o bebê vê a luz do mundo quando nasce, assim também, esta luz celestial resplandece na alma de todo homem, para convencer do pecado, da justiça e do juízo. E este tipo de nascimento espiritual não é dado por nenhum outro a não ser pelo próprio D’us através do Seu Filho, como está dito: “os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, na da vontade do homem, mas de D’us” (João 1:13).
O verso seguinte continua com a narração:
Yochanan 1:10
“Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, e o mundo não o conheceu.”


.......................................................... Por Shmuel ben Avraham
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Os Segredos do Livro de João - Parte 5


Evangelho de João
Parte 5





Prosseguindo em nossos estudos sobre o Evangelho Espiritual, lemos os versos 6-8:

“Houve um homem enviado de D’us, cujo nome era Yochanan. Este veio como testemunha da Luz, para que todos cressem por meio dele. Ele não era a Luz, mas veio para dar testemunho da Luz.”

Nesses versos, o Evangelista introduz a pessoa de Yochanan HaMatbil (João, o Batista). Inicia declarando que ele não era a Palavra de D’us, nem era o Mashiach de Israel, como muitos na época pensavam. Nem mesmo era um anjo, como também outros pensavam; mas um homem. Um ewxtraordinário homem que desde sua existência no ventre de sua mãe ansiava por fazer a vontade Divina de engrandecer e preparar o caminho do Messias Prometido. A história de Yochanan HaMatbil está registrada com detalhes no Evangelho Segundo Lucas, como lemos:

Lucas 1:5-25

“Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zecharyiahu (Zacarias), da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Elisheva (Isabel). E eram ambos justos perante D’us, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Eterno. E não tinham filhos, porque Elisheva era estéril, e ambos eram avançados em idade. E aconteceu que, exercendo ele o sacerdócio diante de D’us, na ordem da sua turma, segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no templo do Eterno para oferecer o incenso. E toda a multidão do povo estava fora, orando, à hora do incenso. E um anjo do Eterno lhe apareceu, posto em pé, à direita do altar do incenso. E Zacarias, vendo-o, turbou-se, e caiu temor sobre ele. Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Elisheva, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Yochanan. E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, porque será grande diante do Eterno, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Ruach HaKodesh, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao Eterno seu D’us, e irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Eterno um povo bem disposto. Disse então Zacarias ao anjo: Como saberei isto? Pois eu já sou velho, e minha mulher avançada em idade. E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de D’us, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas. E eis que ficarás mudo, e não poderás falar até ao dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não creste nas minhas palavras, que a seu tempo se hão de cumprir. E o povo estava esperando a Zacarias, e maravilhava-se de que tanto se demorasse no Templo. E, saindo ele, não lhes podia falar; e entenderam que tinha tido uma visão no Templo. E falava por acenos, e ficou mudo. E sucedeu que, terminados os dias de seu ministério, voltou para sua casa. E, depois daqueles dias, Elisheva, sua mulher, concebeu, e por cinco meses se ocultou, dizendo: Assim me fez o Eterno, nos dias em que atentou em mim, para destruir o meu opróbrio entre os homens.”

Essa passagem narra o contexto do nascimento de Yochanan HaMatbil, filho de Zecharyiahu HaCohen e Elisheva, sendo estes dois justos descendentes de Aarão. Yochanan, desde o ventre, era nazireu (heb. Nazir), uma pessoa consagrada a D’us por intermédio de um voto especial da Torá (vide Números 6:1-21). A família de Yochanan vivia nas regiões montanhosas da Judeia, na cidade de Chevron, conforme a tradição, visto ser uma das cidades levíticas da Judeia (vide Josué 20:7, 11). Chevron situa-se a aproximadamente 40 km de Jerusalém e a 160 km de Nazaré.

Após o nascimento do menino, Zacarias foi cheio da Ruach HaKodesh e profetizou:



Lucas 1:76

“Você, menino, será chamado profeta do D’us Altíssimo; irá à frente do Eterno para lhe preparar o caminho”

Este texto é uma repetição, com outras palavras, da profecia de Malaquias,

Malaquias 3:1

“Eis que Eu envio Meu mensageiro para abrir o caminho diante de Mim; e o Senhor, a quem procuram, chegará de modo repentino a Seu Templo. E o mensageiro da aliança, de quem vocês se agradam, eis que ele é vindo, diz Adonai dos Exércitos”

A profecia de Malachi (Malaquias), repetida por Zacarias, fala que antes da vinda do Mashiach seria enviado um mensageiro para preparar “o caminho”, e este arauto foi justamente Yochanan (João), conforme Lucas 1:76.
Num dos escritos de Qumran, encontra-se um trecho muito interessante conectando o “deserto” (local em que Yochanan pregava) com a profecia de Isaías:

Regra da Comunidade, Col. IX, 19

“Este é o tempo de preparar o caminho ao deserto...”


Regra da Comunidade, Col.VIII, 12-14

“E quando estes [os justos essênios] existirem como comunidade de Israel, segundo estas disposições, irão se apartar do meio da residência dos homens de iniquidade para caminhar para o deserto para abrir o caminho d’Aquele. Como está escrito: ‘No deserto, preparai o caminho de Adonai, endireitai a vereda para nosso D’us’”

Esta mesma mensagem é anunciada por Yochanan HaMatbil (João, o Batista):

Mateus 3:3

Este é o homem mencionado por Isaías, quando disse: A voz do que clama no deserto, preparem o caminho de Adonai! Endireitem as suas veredas!”

Ambos os textos citados acima (o dos essênios e o sobre Yochanan) são alusões à seguinte profecia de Isaías,

Isaías 40:3-5

“Uma voz clama: Preparai no deserto o caminho de Adonai! Endireitai na terra estéril a vereda do nosso D’us. Todo vale será levantado, e será abatido todo monte e todo outeiro; e o terreno acidentado será nivelado, e o que é escabroso, aplanado. A glória do Eterno se revelará; e toda a carne juntamente a verá; pois a boca de Adonai falou”

 Em razão do texto de Isaías 40:3, Yochanan e a seita de Qumran declaram-se como aqueles que estão “no deserto”.
Em suma, os essênios afirmavam que estavam no deserto preparando o caminho do Eterno e, posteriormente, Yochanan (João) proclamou mensagem semelhante. Existem muitas similaridades entre Yochanan e a comunidade essênia da sua época. Será que a Bíblia fornece alguma pista sobre tal assunto? Vejamos.

Escreveu Lucas que o menino Yochanan (João) “crescia e se fortalecia em espírito” e “viveu no deserto até ao dia em que havia de manifestar-se a Israel” (Lucas 1:80).  Eis a pergunta que não quer se calar: se Zacarias, pai de Yochanan, era sacerdote em Jerusalém, como é possível que o menino tenha vivido no deserto da Judeia? O que uma criança, filho de um sacerdote, estaria fazendo no deserto?

A expressão “no deserto” aparece inúmeras vezes nos Manuscritos de Qumran como se fosse um local específico, indicativo do próprio deserto em que se estabeleciam os essênios. Em outras palavras, os Manuscritos de Qumran afirmam que os essênios estavam “no deserto” e a Brit Chadashá declara que Yochanan viveu “no deserto” (Lucas 1:80).

Geograficamente, é provável que Yochanan encontrava-se muito próximo da seita de Qumran, sendo até mesmo possível que residisse com eles (que será explicado adiante). A única descrição das Escrituras é que Yochanan morava “no deserto” e os textos de Qumran afirmam que os essênios também eram domiciliados “no deserto”. Se não bastasse, os Manuscritos do Mar Morto, escritos pelo grupo religioso, foram encontrados a apenas cinco quilômetros do local ao longo do rio Jordão em que Yochanan costumava realizar a imersão dos fiéis.

Retorna-se à pergunta: o que o menino Yochanan estava fazendo no deserto e por qual razão passou toda a sua vida naquele local inóspito? (Lucas 1:80). Há uma explicação provável. O livro apócrifo conhecido como “Protoevangelho de Tiago”, que é usado por muitas Igrejas Copta do Oriente, registra que quando o rei Herodes mandou matar os meninos de Belém e adjacências, chegou a desconfiar que o filho do sacerdote Zacarias, Yochanan (João), pudesse ser o Messias de Israel. Então, ordenou a morte da criança, o que levou Elisheva (Isabel) a fugir para uma montanha com o pequeno Yochanan. Após Elisheva clamar ao “monte do Eterno”, uma fenda se abriu e apareceu um mensageiro (ou anjo) de D’us para os guardar. Posteriormente, Herodes mandou matar Zacarias, já que este não quis entregar seu próprio filho à morte. Assim, Yochanan ficou órfão.

Se esta tradição for verdadeira, isto explicaria o motivo pelo qual Lucas escreveu que o menino Yochanan “viveu no deserto até o dia em que havia de manifestar-se em Israel” (Lucas 1:80). Ou seja, Yochanan teve que se ocultar do convívio social para proteger sua própria vida. Daí, já que a criança não conseguiria sobreviver sozinha no deserto com sua mãe, foi adotado pelo grupo de Qumran, o que faz todo o sentido, uma vez que Flávio Josefo menciona que os essênios adotavam crianças órfãs com o objetivo de instruí-las na Torá do Eterno (História dos Judeus, Livro II, cáp.12, parágrafo 153).

Tanto os essênios quanto Yochanan estavam no mesmo “deserto”, sendo similares suas respectivas pregações. Vejamos as citações:

Essênios: “... para fazer teshuvá (retornar) à Torá de Moshé (Moisés) com todo coração e com toda a alma (...) Por isso o homem imporá sobre sua alma fazer teshuvá (retornar) à Torá de Moshé (Moisés)...” (Regra de Damasco, Col., XV, 9-10 e Col. XVI, 1-2).

Yochanan: “Abandonem seus pecados e façam teshuvá (retornem) para Elohim...” (Mateus 3:2).

Existe uma semelhança nos sermões: a mensagem de teshuvá. Aparentemente, há a seguinte diferença: os essênios pregavam o retorno à Torá, enquanto Yochanan fala do retorno a D’us. Porém, em verdade, inexiste qualquer distinção, visto que Yochanan apregoou o abandono dos pecados e, já que “pecado” significa violação à Torá, “abandonar os pecados” exprime a ideia de retorno à Torá dada por Elohim a Moshé. Logo, podem ser identificados três aspectos igualitários nas prédicas dos essênios e de Yochanan: 1) o homem deve abandonar seus pecados; 2) disso decorre o retorno à Torá de Moshé; 3) o que implica o próprio retorno a Elohim.

É proveitoso mencionar que Yochanan se alimentava de gafanhotos (Marcos 1:6), e esta espécie animal fazia parte da dieta dos essênios (Regra de Damasco, Col. XII, 14).

Outro aspecto fundamental que era comum entre Yochanan e os Essênios foi a Tevilat HaTeshuvá (batismo de arrependimento).

A Torá estabelece uma série de prescrições em que a purificação passa pela água, como, por exemplo, a) a pessoa curada de tsara’at (“lepra”) deveria lavar suas roupas, raspar os pelos e se banhar em água, e este banho ritual a tornava pura (Levítico 14:8-9); b) o homem com um fluxo doentio em seu corpo tornava impuro tudo o que tocasse, coisas ou pessoas, e todos deveriam lavar suas roupas e banhar-se em água para fins de purificação (Levítico 15:5-10); c) quem comesse um animal que morreu naturalmente ou que foi dilacerado por animais selvagens tornava-se impuro, devendo lavar suas roupas e se banhar em água para obter a purificação (Levítico 17:15); d) todo o capítulo de Números 19 menciona a “água para purificação do pecado”. Por sua vez, antes de os sacerdotes entrarem no Tabernáculo, precisavam lavar-se com água para não morrerem e, antes de ministrarem no altar, deveriam ainda lavar as mãos e os pés para que não sucumbissem (Êxodo 30:21), porquanto, como todos são pecadores, necessitam obter a purificação pela água antes de se aproximarem do Eterno.

Os essênios passaram a aplicar a si próprios as regras de purificação sacerdotal, e desenvolveram um ritual de purificação diária pela água. Em outras palavras, pensava a comunidade de Qumran que necessitavam ser purificados todos os dias a fim de que pudessem servir ao Eterno sem mácula.

Citam-se alguns textos dos Manuscritos do Mar Morto acerca da prática da imersão ritual e seu significado:

“Que não entrem [os ímpios] nas águas para participar do alimento puro dos homens de santidade, pois não se purificam, a não ser que se convertam de sua maldade; pois é impuro entre os transgressores de sua palavra.” (Regra da Comunidade, Col.V,13-14).

Ou seja, o ímpio necessitava se converter primeiro para depois entrar nas águas e, então, poderia comer o alimento com os homens de santidade.

“Então D’us purificará com sua verdade todas as obras do homem, e refinará para si a estrutura do homem arrancando todo o espírito de injustiça do interior de sua carne, e purificando-o com o Ruach HaKodesh de toda a ação ímpia. Aspergirá sobre ele o espírito da verdade com a cerimônia das águas de purificação de todas as abominações de falsidade e da contaminação do espírito impuro.” (Regra da Comunidade, Col.IV, 20-22).

Mais uma vez se verifica que, para os essênios, a transformação interior, de pecador a santo, é pressuposto para alguém passar pela cerimônia de purificação pelas águas, a tevilá (imersão/“batismo”).

A prática essênia da tevilá possuia grande similaridade com Yochanan (João), que deu grande importância à imersão nas águas para fins de purificação:

“Confessando seus pecados, eram imersas por ele no rio Yarden (Jordão)” (Mateus 3:6; Marcos 1:5)

“Ele [Yochanan] percorreu toda a região do Yarden [Jordão], anunciando a imersão que envolvia o abandono do pecado e a teshuvá [retorno] a Elohim a fim de receber o perdão.” (Lucas 3:3).

Tanto os essênios quanto Yochanan acreditavam que a imersão em água era símbolo de uma anterior limpeza da maldade realizada pelo Espírito de D’us.

O uso da água para purificação e consagração é um conceito comum no judaísmo e muito antigo. Devido a isso, quando Yochanan apareceu na Judeia pregando a Teshuvá e a Teviláh no rio Jordão, a imersão em si não causou estranheza. Ele pregava o iminente julgamento de D'us, advertindo que Israel deveria se arrepender e ser espiritualmente renovado, e a Tevilá na água simbolizaria renascimento. Esta Tevilá era uma ordem divina.

Em sua pregação, Yochanan dizia que o Reino de D’us estava próximo, chamando os homens ao arrependimento (Mateus 3:1-12). Aqueles que não abandonassem seus pecados seriam punidos com “o fogo inextinguível” (Mateus 3:12). O conteúdo da mensagem de Yochanan já se encontrava presente na fraternidade de Qumran, que também enfatizava a proximidade do fim dos tempos (urgência escatológica) e o dia do julgamento que puniria os ímpios com fogo:

“os filhos das trevas... com fogo arderão.” (Regra de Guerra, Col. XIV, 17,18)

O rabino James Trimm aponta, porém, que Yochanan vivia entre os essênios, mas um dia recebeu o chamado de D’us para realizar sua missão específica. Como a seita de Qumran possuía um forte sistema hierárquico, as novas ideias de Yochanan colidiam com os dogmas do grupo, levando-o ao estabelecimento de um ministério paralelo. Escreveu o rabino Trimm:

“No entanto, a vida normal de João em Qumran foi interrompida quando ‘a palavra de D’us veio a Yochanan ... no deserto’ (Lc 3:2). Em uma comunidade rígida em que todo mundo tinha um posto e ninguém falava nada fora de sua vez, a mensagem de João pode não ter sido bem-vinda. Isso explicaria por que João e seus discípulos se realocaram nas proximidades, perto de Betânia.” (Jewish Roots Commentary to Mattityahu, página 58)

 Apesar das semelhanças, há algumas distinções entre a congregação de Qumran e Yochanan. O grupo de Qumran vivia isolado no deserto e não pregava ao mundo externo. Em contrapartida, Yochanan tinha caráter missionário, proclamando a mensagem de arrependimento para a remissão de pecados à multidão de pessoas que vinham de diversos locais de Israel (Lucas 3:7; Mateus 3:5; Marcos 1:5).

Os essênios de Qumran amaldiçoavam os ímpios e clamavam pela punição destes ao fogo eterno; já Yochanan chamou os pecadores ao arrependimento e ensinou sobre o perdão de D’us. Identifique a diferença:

Qumran: “E os levitas amaldiçoarão todos os homens da porção de B’liya’al [Belial]. Tomarão a palavra e dirão: (...) Maldito sejas, sem misericórdia, pelas trevas de tuas obras, e sejas condenado à obscuridade do fogo eterno. Que D’us não tenha misericórdia quando o invocares, nem te perdoe quando espiares tuas culpas.” (Regra da Comunidade, Col.II, 4,5, 7 e 8).

Yochanan: “Foi por isso que Yochanan, o Imersor, apareceu no deserto, proclamando a imersão que envolvia o retorno para Elohim e o abandono do pecado para que fossem perdoados.” (Marcos 1:4).

É relevante recordar que nem todos os essênios residiam em Qumran, razão pela qual não se pode afirmar generalizadamente que o essenismo amaldiçoava os pecadores.  Isto é, os essênios de Qumran eram mais radicais e rígidos e isto não reflete, necessariamente, a concepção religiosa de outros essênios que habitavam normalmente nas cidades, desprovidos da dureza eremita.

A comunidade de Qumran tinha um forte sistema hierárquico. Existiam níveis e até mesmo para falar nas reuniões deveria ser obedecida uma estrita ordem, do maior ao menor nível de graduação. Para que pessoa de categoria mais baixa pudesse falar a toda congregação, deveria receber o aval daqueles com nível superior (Regra da Comunidade, Col.VI, 8-13).  Opostamente, não se vislumbra esta severa hierarquia entre Yochanan e seus discípulos.

Yochanan reconheceu que Yeshua é o Messias, o Filho de D’us (João 1:29-34). Enquanto os essênios de Qumran não creram em Yeshua, uma vez que nos escritos do Mar Morto (século II A.C. a 68 D.C) não há nenhum tipo de menção ao nosso Rei, nem foram encontrados documentos da B’rit Chadashá no local.

Em 1972, o papirólogo espanhol José O’Callaghan afirmou que na Gruta 7 de Qumran existiam fragmentos não identificados e que continham as cópias mais antigas de alguns livros do denominado “Novo Testamento”. Contudo, esta hipótese caiu por terra após investigação mais acurada, já que o maior fragmento (supostamente o livro de Marcos) continha apenas 27 letras, das quais somente 14 são de leitura certa e que assumem diversas leituras possíveis. Enfim, até hoje, não há textos do “Novo Testamento” em Qumran, presumindo-se que a seita não tenha aderido à comunidade de Yeshua.

Outra diferença entre Yochanan e a irmandade qumrânica tem a ver com o aspecto estético. Yochanan vestia-se com roupas feitas de pêlos de camelo, à medida que a comunidade vestia-se com roupas brancas, consoante o relato de Flávio Josefo.

Particularmente, entendemos que Yochanan foi essênio da comunidade de Qumran, mas, em dado momento de sua vida, recebeu o chamado de D        us (Lc 3:2) para pregar o arrependimento ao povo de Israel. Além das lições do rabino James Trimm neste sentido, vale consignar as palavras do historiador David Flusser, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém: Yochanan seria essênio, mas se separou do grupo de Qumran pelo fato de este grupo viver isolado e não levar a mensagem de D’us para o público externo. Então, Yochanan passou a constituir um movimento paralelo ao de Qumran, cujo objetivo seria levar a mensagem de arrependimento a todo o povo de Israel:

“É evidente que João era um dissidente essênio, que se opôs aos seguidores sectários e separatistas do essenismo tanto em sua ideologia como em sua organização social (...) Ele manteve a estrita divisão dualista essênia entre os justos que seriam salvos e os pecadores que seriam destruídos. Entretanto, ao mesmo tempo, ele rejeitava a doutrina essênia da dupla predestinação [1]. Ao contrário, os filhos das trevas podem ser salvos, se se arrependerem (Mt 3:7-10; Lc 3:7-9). Ele adotou a teologia do batismo essênio, mas rejeitou a exclusividade deste rito. Em contraste com os essênios, ele oferecia seu batismo de arrependimento para todo Israel e não apenas para os membros de uma seita. A causa principal da crítica de João à maneira separatista essênia era seu desejo de oferecer as genuínas realizações do movimento essênio a todo o povo de Israel. Não é de se admirar que Jesus fosse atraído por João Batista.” (O Judaísmo e as Origens do Cristianismo, Volume I, Imago, 2002, página 162).

[1] A doutrina da “dupla predestinação” sustenta que o Eterno criou e designou previamente os justos para a salvação e os ímpios para a condenação.

A Tevilá no Judaísmo Messiânico

O Tevilá no contexto judaico-messiânico também requer sacrifício e não estão dispensados deste sacrifício, que foi cumprido, de uma vez por todas em Yeshua HaMashiach  na cruz. A Tevilá realizada pelos judeus messiânicos são precedidos pela completa fé no D'us de Israel e na Messianidade de Seu Filho Yeshua. Adonai enviou o Messias Salvador antes que o Templo fosse completamente destruído, para que ele pudesse expiar o pecado de uma vez por todas como o Korban Tamim (sacrifício perfeito), e assim todos os que nele cressem não ficariam sem o sacrifício aceitável diante do Eterno.

Da mesma maneira não há necessidade de circuncisão em caso do gentio convertido, para poder servir a D'us através de Yeshua, pois no momento em que a pessoa crê, opera-se a circuncisão no coração, como descrito por Shaul HaShaliach aos Colossenses:

"Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da perfeição; E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade; No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, que é a circuncisão do Messias; Sepultados com ele na Tevilah, nele também ressuscitastes pela fé no poder do Eterno, que o ressuscitou dentre os mortos. E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas" (Colossenses 2:9-14)

................................................................ Por Shmuel ben Avraham

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Os Segredos do Livro de João - Parte 4


O Evangelho de João
Parte 4




Em nosso estudo anterior, tratamos do terceiro verso do Evangelho de João. Abordamos com mais profundidade a incrível ligação entre a Palavra de D’us e a Criação; demonstrando que, de fato, como é afirmado no verso, se não fosse pela Palavra do Eterno nenhuma sequer das criaturas existentes viriam a ser.
Então, prosseguindo nosso estudo, leiamos os versos que já explicamos:
“No princípio, era a Palavra; e a Palavra estava com D’us, e a Palavra era Elevada, Poderosa, Grandiosa, Sublime. E ele estava com D’us. Tudo veio a existir através dele, e sem ele nada do que veio a existir se faria.”
No quarto verso do seu Evangelho, Yochanan prossegue e diz:

בּוֹ הָיוּ חַיִּים וְהַחַיִּים הָיוּ אוֹר לִבְנֵי הָאָדָם
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.”

Antes de tudo, o evangelista no verso anterior declara que o Logos, i.e. a Palavra, foi o meio pelo qual o mundo foi criado originalmente. E uma parte dessa Criação consiste de “fôlego da vida”, como está na Torá, “E soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida” (Gen. 2:7).
Rashi comenta nas seguintes palavras:

“Ele formou o homem com os dois, tanto o físico quanto o espiritual. O corpo do mundo físico, e a alma do mundo espiritual. Visto que assim ocorreu no primeiro dia; foram criados os Céus e depois a terra. No segundo, Ele cria o firmamento para os Céus, e no terceiro dia Ele diz: ‘faça-se a porção seca’, para os seres terrestres. No quarto, Ele criou as Estrelas nos Céus, e no quinto, Ele disse: ‘Encham-se as águas’, para os seres viventes. E consequentemente, no sexto deve haver mais uma conjunção entre o físico e espiritual: o homem.”

Perceba que Rashi está nos mostrando que nos outros cinco dias da Criação, HaShem uniu o físico e o espiritual, porém, em corpos separados. No sexto dia, entretanto, em um único corpo, o Eterno infla a “fôlego vivente (neshamá vivente)” no Homem, e ele torna-se uma Nefesh Chaiá (alma viva).

Aqui, já identificamos no texto da Torá o conceito da “vida” relacionada com a Criação. Esse atributo é descrito em Yeshua HaMashiach. Ele não simplesmente foi o meio para a existência da Criação; mas também é o meio pelo qual essa Criação deixa seu estado vegetativo e passa a ser uma Criação animada, i.e com vida. Filosoficamente, há 6 critérios pelos quais algo se diz vivo ou não.

1) Desenvolvimento: passagem por várias etapas distintas e sequenciais, que vão da concepção à morte.
2) Crescimento: absorção e reorganização cumulativa de matéria oriunda do meio; com excreção dos excessos e dos produtos "indesejados".
3) Movimento: em meio interno (dinâmica celular), acompanhada ou não de locomoção no ambiente.
4) Reprodução: capacidade de gerar entidades semelhantes a si própria.
5) Resposta a estímulos: capacidade de "sentir" e avaliar as propriedades do ambiente e de agir seletivamente em resposta às possíveis mudanças em tais condições.
6) Evolução: capacidade das sucessivas gerações transformarem-se gradualmente e de adaptarem-se ao meio.

Porém, percebemos que aqui o termo “vida” não é usado apenas para dizer uma “vida natural”.
Percebemos um outro ponto muito especial nesse verso. Uma vez que a mente do escritor é hebraica, vamos analisar os vocábulos hebraicos contidos nesse texto.
Quando verificamos a palavra “vida” em hebraico, diz-se חיים (Chaim). Um detalhe diferente do grego, é que o substantivo “vida” em hebraico encontra-se sempre no plural dual. Ou seja, podemos entender que no texto, Yochanan está tratando muito mais que a vida natural (física), mas também uma vida espiritual.
Yeshua constitui-se como o repositório tanto da vida natural como também da vida moral e eterna, como Shaul dirá: “Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” (Filipenses 2:1)
Marvin Vincent, exegeta do séc. XIX, comenta o verso nas seguintes palavras:

“Ele é o repositório da vida – física, moral e eterna – seu princípio e raiz. Existem duas palavras para vida no Novo Testamento: bio e zoe. A distinção primária é que zoe significa ‘existência’ em contraste com a morte, e bio significa o período, os meios ou o modo de existência.”

Nesse verso de João, o termo grego é zoe. Nos ensinando que a base da existência, a porção elementar da vida (ou força vital) está contida em Yeshua.
Portanto, Yochanan nos ensina que Yeshua não somente foi o meio para a Criação, no princípio; mas constantemente, a todo momento, Yeshua é o meio para a sustentação e manutenção da força vital do Universo, como Shaul nos ensina: “E [D’us] sustenta todas as coisas pela Palavra do Seu poder” (Hebreus 1:3).
Ora, Yeshua também nos traz ensinamento semelhante, “Declarou-lhe Yeshua: Eu sou a ressureição e a vida; quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (João 11:25).
Aqui Yeshua fala tanto da vida física quanto da espiritual. E em muitos outros versos, Yeshua juntamente com seus discípulos dirão semelhantes coisas, (João 6:33; 1 João 1:1-2; 1 João 5:11; Atos 3:15; Colossenses 3:4).
Prosseguindo o verso, Yochanan declara:

“E a vida era a Luz dos homens”

Matthew Poole, teólogo do séc. XVII, escreve:

“Ele distribui a vida de acordo com o grau de todas as criaturas. Porém, em especial, o evangelista diz que ele é ‘a luz dos homens’; que ilumina a mente com uma luz da qual as criaturas vegetativas e sensíveis não são capazes; de modo que, a luz mencionada aqui não deve ser entendida como emanação de qualquer corpo lúcido, como o sol e as estrelas, pois tanto as criaturas quanto os homens são capazes disso. Mas sim, a luz pela qual discernimos as coisas espirituais; conforme o texto do apóstolo [Efésios 5,8]: ‘Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor’”

Daqui, entendemos que nesse verso, “luz dos homens” significa o correto entendimento dos conceitos espirituais, a clareza espiritual. Pois assim Yeshua afirma: “Eu vim como luz para o mundo; a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas” (João 12:46).

Na literatura judaica também encontramos respaldo quanto a Luz ser o Mashiach (Chaguigá 12a):

“Está escrito: ‘E viu D’us que a Luz era boa’ (Gn. 1:4), e ‘boa’ não se refere a nada a não ser ao Justo, como é dito: ‘Dizei ao Justo, bom és’ (Isaías 3:10)”

Sobre Bereshit 1:3, o Apóstolo Shaul comenta:

“Porque D’us, que disse: Das trevas brilhará a Luz, é quem brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de D’us na face do Messias.” (2 Coríntios 4:6)

Aqui, Shaul mesmo declara Yeshua como sendo a Luz Primordial. Visto que, “O povo que andava em trevas viu uma grande Luz; e sobre os que habitavam na terra de profunda escuridão resplandeceu a Luz” (Isaías 9:2).
Fazendo uma guezerá shavá (comparação de versos), Shaul conclui que Yeshua é a Luz de Bereshit 1:3.
Ainda em relação a esse assunto, Shaul traz outro verso interessante:

“E que agora se manifestou pelo aparecimento de nosso Salvador Yeshua Hamashiach, o qual destruiu a morte, e trouxe à luz a vida e a imortalidade pelo Evangelho” (2 Timóteo 1:10)

Yeshua foi o primeiro a ressuscitar dos mortos para uma vida imortal; O caminho da vida foi mostrado pela primeira vez para ele, e trazido à luz por ele; e embora a ressurreição dos mortos fosse conhecida pelos antigos do Tanach, ainda não era tão clara como agora é revelada no Evangelho; e em que é tão plenamente atestada a ressurreição de Yeshua, e de muitos dos crentes com ele, bem como a ressurreição geral no último dia; e além disso, a vida eterna, escondeu-se no seu propósito, na promessa, em seu Filho,Yeshua Hamashiach, em cujas mãos foi posto; e que ele trouxe à luz de uma maneira mais clara do que nunca antes; pela sua aparência na natureza humana, pelo seu ministério pessoal, por sua morte e ressurreição dentre os mortos, e pelo Evangelho, como pregou seus discípulos; que dá conta da natureza dela, mostra o caminho para ela, e aponta como podemos apreciá-la.
Por isso o Rei Davi diz (Salmos 36:10):

כִּֽי־עִ֭מְּךָ מְק֣וֹר חַיִּ֑ים בְּ֝אוֹרְךָ֗ נִרְאֶה־אֽוֹר׃

"Pois em Ti está o manancial da vida, na Tua Luz, veremos luz.”

Nenhum homem consegue iluminar a si mesmo. Sem o conhecimento do alto, ele não conseguirá dar um único passo no caminho da vida. Por isso, apenas na “Tua Luz”, i.e., Yeshua, conseguiremos caminhar pela vereda de D’us, alcançando a luz, que é a vida eterna dos homens.
Yochanan continua sua explanação dizendo (v. 5):

וְהָאוֹר מֵאִיר בַּחֹשֶׁךְ וְהַחֹשֶׁךְ לֹא הִשִּׂיגוֹ

"A Luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.”

Algo que é crucial nesse verso é entendermos o substantivo “trevas”, em hebraico, חֹשֶׁךְ  (choshech). Vejamos o que a literatura judaica nos ensina:





Rambam
Hilchot Deot 6:1

דֶרֶךְ בְּרִיָּתוֹ שֶׁל אָדָם לִהְיוֹת נִמְשָׁךְ בְּדֵעוֹתָיו וּבְמַעֲשָׂיו אַחַר רֵעָיו וַחֲבֵרָיו וְנוֹהֵג כְּמִנְהַג אַנְשֵׁי מְדִינָתוֹ. לְפִיכָךְ צָרִיךְ אָדָם לִהִתִחַבֵּר לַצַּדִּיקִים וִלֵישֵׁב אֵצֵל הַחֲכָמִים תָּמִיד כִּדֵי שֵׁיִּלִמֹד מִמַּעֲשֵׂיהֵם. וִיִתִרַחֵק מִן הָרִשָׁעִים הַהוֹלְכִים בַּחשֶׁךְ כְּדֵי שֶׁלֹּא יִלְמֹד מִמַּעֲשֵׂיהֶם. הוּא שֶׁשְּׁלֹמֹה אוֹמֵר (משלי יג כ) "הוֹלֵךְ אֶת חֲכָמִים יֶחְכָּם וְרֹעֶה כְסִילִים יֵרוֹעַ". וְאוֹמֵר אַשְׁרֵי הָאִישׁ וְגוֹ'. וְכֵן אִם הָיָה בִּמְדִינָה שֶׁמִּנְהֲגוֹתֶיהָ רָעִים וְאֵין אֲנָשֶׁיהָ הוֹלְכִים בְּדֶרֶךְ יְשָׁרָה יֵלֵךְ לְמָקוֹם שֶׁאֲנָשֶׁיהָ צַדִּיקִים וְנוֹהֲגִים בְּדֶרֶךְ טוֹבִים

“É uma tendência natural do homem ser influenciado em sua conduta e ideias por seus companheiros e associados, e para seguir o uso das pessoas de sua região. Por causa disso, é necessário que o homem esteja na companhia dos justos e se sentar perto do sábio, a fim de aprender com a sua conduta e distanciar-se dos malfeitores que seguem o caminho da escuridão, em ordem para não aprender com a sua conduta. Por tal, Salomão disse: ‘Aquele que anda com sábios será sábio, mas o companheiro dos tolos será inteligente para ele’ (Prov. 13:20); e também é dito: ‘Feliz o homem que não andou no conselho dos ímpios’ (Salmos 1:1). Da mesma forma, se um homem estiver em uma região onde os costumes perversos prevalecem e onde as pessoas não estão seguindo os caminhos justos, ele deve ir a um lugar onde os habitantes são justos e seguir o caminho do bem.”

Rambam aqui, declara “caminho da escuridão” como sendo o caminho da perversidade. Ou seja, a escuridão é o descumprimento das mitsvot da Torá. Vemos esse entendimento nos versos da Brit Chadashá:

“Para lhes abrires os olhos, e das trevas os converteres à luz, e do poder de HaSatan a D’us; a fim de que recebam a remissão de pecados, e herança entre os que são santificados pela fé em mim.” (Atos 26:18)

“Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz.” (Efésios 5:8)

“E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as.” (Efésios 5:11)

“A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz.” (Romanos 13:12)

Outro aspecto do sentido de “trevas” nas Escrituras é a oposição a D’us. Podendo ser conotativo à Sitra Achará (Reino de HaSatan), como é aludido no verso:

“O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor.” (Colossenses 1:13)

Portanto, o verso diz, “A Luz resplandece nas trevas”, nos ensinando que Yeshua é aquele que nos tira da ignorância da Lei, nos tira do domínio da Sitra Achará, nos tira da prisão da iniquidade, e nos traz para a vida eterna.

Sobre esse mesmo entendimento, John Gill, teólogo do séc. XVII, comenta esse verso dizendo:

“Escuridão que, através do pecado, veio sobre as mentes dos homens; que naturalmente estão no escuro diante da natureza e as perfeições de D’us; sobre o pecado e as consequências disso; sobre o Messias, e salvação por ele; sobre o Espírito de D’us, e sua obra sobre a alma; e sobre as Escrituras da verdade e as doutrinas do Evangelho. O homem foi feito uma criatura conhecedora, mas apesar do seu conhecimento, peca e é banido da presença de D’us, a fonte da luz. E isso traz uma escuridão sobre ele.”

................................................. Por Shmuel ben Avraham

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"Por essa razão, desde o dia em que o ouvimos, não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do pleno conhecimento da vontade de Deus, com toda a sabedoria e entendimento espiritual." (Colossenses 1:9)